MUNDO ATUAL (1877)'
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Artigo

O FUNDAMENTALISMO É MORTAL

 

“Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”.

Dr. Martin Luther King

Líder Pacifista Americano

 

Ninguém que viveu o 11 de Setembro de 2001 é capaz de esquecer a ensolarada manhã transformada em horror e cinzas no centro financeiro de Nova York, em parte do Pentágono e num campo aberto da Pensilvânia. O seqüestro de quatro aviões resultou em três ataques concretizados e na queda de uma das aeronaves, imprimindo para sempre a marca do terror na memória coletiva e quase três mil mortes. Dez anos depois, 35 mil suspeitos de terrorismo foram condenados no mundo. Osama Bin Laden, o arquiteto do maior atentado da história, está morto, e a al-qaeda, enfraquecida. Mas, a um custo de US$ 4 trilhões – o dobro do PIB do Brasil em 2010 -, os EUA ainda estão atolados em duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, e enfrentam a ameaça de um ambíguo aliado, o Paquistão. Passado o momento inicial de união em torno da tragédia, a resposta ao terror deflagrou mais terror, trouxe medo e incerteza, deixando um rastro de 225 mil mortes. E feriu a reputação da democracia americana em seus valores mais básicos, inserindo tortura, Abu Ghraib, vôos clandestinos e a malfadada prisão militar em Guantánamo no glossário da década. Em nome da segurança, os limites à privacidade do cidadão comum foram testados diariamente em rigorosas revistas nos aeroportos. A guerra ao terror dividiu aliados e isolou os EUA. “O país amarga o peso do endividamento e do alto desemprego, tornando recorrente para os americanos o uso do termo “década perdida” para definir o período que se seguiu ao 11 de Setembro”, escreve a renomada jornalista Sandra Cohen (*).

 

CAMPO FÉRTIL

 

“Mas não há como não se assustar com o poder crescente em nossas vidas do fundamentalismo, que é a religião no seu estado impermeável” (#).

Luís Fernando Veríssimo

Escritor Brasileiro

 

O veterano diretor tcheco Milos Forman duas vezes premiado com o Oscar (“Um Estranho no Ninho” e “Amadeus”), afirma: “que o ser humano está condenado a repetir os erros do passado. Mesmo em pleno século XXI, perseguições ideológicas voltam a ocorrer, sob novas bandeiras, em diferentes partes do mundo” (1).

 

O ex-comandante da Policia Nacional e agente do serviço secreto francês, especializado no islamismo e autor do livro “Muçulmanos na França” e consultor para o Ministério do Interior, Bernard Godard vê por trás da burca uma ameaça maior: “A conversão de jovens franceses ao fundamentalismo islâmico. Não é um fenômeno que vai e passa: era marginal há seis anos, agora, a cada ano aumenta. É inquietante” (2).

 

Na insegurança, na incerteza, na superficialidade, na virtualidade e na infernalidade o ser humano se agarra cegamente ao fundamentalismo. A fuga para o fundamentalismo é que tem de mais terrível numa mente insana.

 

A falta de amor, negação da razão, a troca da justiça pela falsa ideologia de superioridade de qualquer dimensão humana, leva a pessoa a ser manipulada ao extremismo, radicalismo, fanatismo, racismo, intolerância, totalitarismo, fundamentalismo e terrorismo.  Para tudo isso o fundamentalismo é a mente dominada, pela ganância e o egoísmo alimentados por promessas grandiosas e o ensino tremendamente enganoso sobre Deus e o paraíso.

 

No desejo descontrolado, a pessoa pode fazer de tudo para alcançar o seu objetivo. O seu interior perturbado e instigado por doutrinação de glória terrena e celestial é peremptório o fundamentalismo para realizar qualquer coisa.

 

Hoje mais do que nunca, pelo poder da mídia, do consumismo, dos problemas mentais e de ideologia religiosa e capitalista, o campo está fértil para loucuras do fundamentalismo e congêneres.

 

Chega a tempo, de forma magistral a exortação do psicanalista brasileiro Rubem Alves: “O fundamentalismo é, talvez, a grande tentação que nos assalta. Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal, disse a serpente ao homem. Qual é a pessoa que não anseia por trocar seus palpites por visões da realidade, suas dúvidas por certezas, sua provisoriedade por eternidade, suas inquietações e incompletudes por paz e realização? A solução fundamentalista nos liberta do doloroso confronto com uma realidade sempre inacabada, sempre em mutação, sempre perturbadora, sempre questionadora” (3).

 

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

 

“O fundamentalismo convida, sem o dizer, a uma forma de suicídio do pensamento” (4).

Dr. Zwinglio M. Dias

Professor de Ciência da Religião da UFJF

 

De toda forma de fundamentalismo, o mais cruel é o de vertente religiosa. A maldade do religioso no contexto fundamentalista é sem limites. Isso é bem patente, nas heresias, nos cismas, nas perseguições e nas guerras. O modo de trucidar os inimigos supera os outros sistemas. O ódio é tão grande que perdura nas divisões e na disputa de poder sem fim.

 

No sistema religioso, tudo se torna mais e mais difícil para a concordata. Até dentro do próprio grupo que vive a mesma fé, a unidade e a comunhão não são vividas.

 

Toma conta da mentalidade fundamentalista a “sua” verdade, absoluta, inquestionável, inegociável, intransigente e inflexível. Tudo está a serviço do seu comando – até o próprio Deus – para “bem de todos”, a sua lei é a melhor, a sua doutrina é santa, a sua religião é a única verdadeira e o seu paraíso é para quem fizer parte de sua crença. Daí, o seu império fundamentalista.

 

Em tudo pode haver mudanças e renovações para cultura da vida, menos no fundamentalismo religioso. Podem até usarem a ciência e a tecnologia como façanhas para dissimularem o seu fundamentalismo, no entanto, o veneno do mal está presente e atuante.

 

Aminata Toure, diretora do Departamento de Gênero, Direitos Humanos e Cultura do Fundo de População da ONU, afirma: “As crenças culturais não mudaram, não acompanharam os avanços da tecnologia ou do crescimento econômico. Temos sociedades com acessos à tecnologia, e algumas delas até mesmo produzindo tecnologia, mas a mentalidade não evolui na mesma rapidez” (5).

 

A mentalidade dominada pela tradição religiosa fundamentalista não muda a cultura de morte, nem mesmo com todo avanço da ciência e do progresso tecnológico. Na verdade, o fundamentalismo fecha as portas para vida plena, para bem comum e para felicidade eterna.

 

O cérebro fundamentalista é como o diretor de cinema e o corpo como protagonista, o filme é tão somente terrorismo e homem-bomba.

 

As questões religiosas vão fazer parte tremendamente em nossa era pós-moderna. Segundo o escritor anglo-indiano Salman Rushie: “O hábito de invocar a autoridade divina para legitimar preconceitos, perseguições e atrocidades são muito antigas, mas ressurgiu com força total nos últimos tempos. A meu ver, é o problema central do mundo contemporâneo” (6).

 

Nos últimos anos, estudos encontram indícios de que o discurso extremista prolifera em cerca de 100 mil estudantes muçulmanos nas instituições de ensino superior do Reino Unido. Uma pesquisa divulgada em 2005 também chamou a atenção nas universidades por governos e instituições muçulmanos.

 

Outro trabalho, preparado pelo Centro para a Coesão Social em 2008, revelou que a circulação de literatura radical é comum e levantou estatísticas preocupantes numa pesquisa de opinião entre alunos muçulmanos: 33% dos entrevistados disseram crer que matar em nome da religião era justificável. Entre os filiados a uniões estudantis islâmicas a proporção subiu para 60%.

 

“Encontramos outros tipos de respostas preocupantes. Pelo menos 40% dos entrevistados disseram apoiar a introdução da Sharia (lei islâmica) no Reino Unido, e 58% do filiados a uniões estudantis defenderam a criação de um califado islâmico. Uma pena que as autoridades reagiram da forma errada, culpando os mensageiros – diz Douglas Murray, um dos coordenadores dos estudos” (7).

 

Daniel Benjamin e Steven Simon escreveram o seguinte sobre motivações religiosas em seu livro The Age of Sacred Terror (A Era do Terror Sagrado): “Num mundo cada vez mais religioso, mais adeptos das grandes religiões e dos novos e crescentes cultos estão colocando a violência no centro de suas crenças”.

 

O sono da razão gera monstros, diz aquela retumbante frase numa gravura de Goya. O suicídio da razão está cada vez mais forte em nossa era.

 

FUNDAMENTALISMO CIENTÍFICO

 

Os estudiosos Martin Marty e Scott Appleby (ZANDRA, 2004, p. 124-148) alertam sobre outros fundamentalismos presentes na cultura, na política, na religião e no saber. A partir daí, sugerem perceber em que medida estão latentes nas relações e práticas sociais.

 

Assim, o fundamentalismo científico se refere à relação entre verdade e a ciência, na qual as imposições de certos procedimentos constituíram-se na única forma de conhecimento da realidade, desterrando a possibilidade de integrar outros modos de apreender que não fossem só meios da racionalidade, da calculabilidade. O conhecido Positivismo converteu-se quase que na religião da ciência. Nele os métodos de experimentação seriam a única palavra sobre o fazer científico. Na ciência pela ciência, a imolação da subjetividade, em nome do exclusivo avanço tecnológico, levou a condenar como superstição e magia outras formas de saberes, ao mesmo tempo em que ciência e religião passaram a se excluir mutuamente.

 

Já o fundamentalismo cultural responde por uma maneira unidirecional de interpretar os valores de convivência social, de uma nação ou grupo étnico, impondo-os pela força física e/ou simbólica ao resto da sociedade. Feita por uma minoria com poder, a interpretação dos costumes e das tradições normalmente tende a selecionar da memória histórica expressões culturais ou a impressão de serem negadas propicia a emergência de grupos separatistas com o ETA (Espanha), ou na Chechênia (Rússia).

 

“A utilização do poder do Estado para impor modelos culturais é outra forma de fundamentalismo cultural, que dois acontecimentos históricos recentes ilustram: a Revolução Cultural Chinesa (1966-1976) e a Revolução Islâmica (1979) escreve Brenda Carranza, doutora em Ciências Sociais, professora-pesquisadora da PUC – Campinas” (8).

 

Não é de admirar que a religião – com suas resistências ao progresso científico, horríveis antecedentes, hipocrisia e crueldade – tenha sido rejeitada por muitos homens de ciência. O inglês John Postgate, professor de microbiologia, diz: “A religião... foi responsável pelos horrores dos sacríficos humanos, pelas cruzadas, pelos pogroms e pelas inquisições. No mundo moderno, esse lado sombrio da religião se tornou uma ameaça, porque, diferentemente da ciência, a religião não é neutra”.

 

Comparando isso com a suposta racionalidade, objetividade e disciplina da ciência, Postgate diz que “a ciência passou a ser o paradigma da moral”.

 

Será que a ciência é de fato o paradigma da moral? A resposta é não. O próprio Postgate admite que “as comunidades científicas não estão isentas de ciúmes, ganância, preconceito e inveja”. Ele acrescenta que “alguns foram capazes de assassinar em nome da pesquisa científica, como ocorreu na Alemanha nazista e nos campos de prisioneiros dos japoneses”. E quando a revista National Geographic incumbiu o repórter de investigar como foi que a fraude de um fóssil chegou às paginas da própria revista como fato científico, descobriu-se uma história de sigilo e confiança mal direcionados, competição de egos, autopromoção, racionalização de desejo, ingenuidade, erro humano, teimosia, manipulação de dados, intrigas, mentiras e corrupção”.

 

E convém lembrar, é a ciência que produz os terríveis instrumentos de guerra e de destruição de massa, como armas biológicas, gás venenoso, mísseis, bombas inteligentes e bombas nucleares.

 

O erro crucial do fundamentalismo científico é a negação meramente maliciosa da epistemologia transcendental. Parte a priori da mentalidade de cientistas fundamentalistas. Não é só o fundamentalismo científico, outros sistemas ideológicos perniciosos que por pura intolerância rejeitam a sapiência espiritual da alma e da metafísica pós-cérebro. Por trás de tudo isso existe o controle e o esquema para maior posse do poder econômico.

 

Num artigo do The New York Times de 2010, O Dr. Jerome Kassirer, ex-editor da revista The New England Journal of Medicine, explicou: “Quando grande parte da renda dos pesquisadores é paga por empresas [farmacêuticas], há uma forte tendência de eles produzirem resultados que favoreçam a empresa”.

 

ATEÍSMO FUNDAMENTALISTA

        

Um poderoso grupo de novos ateus surgiu na sociedade com uma campanha avassaladora. Chamados de “novos ateus”, eles não se contentam em guardar para si mesmos seus conceitos. Numa cruzada “ativa, furiosa e intensa, eles tentam convencer os religiosos a pensar como eles”, escreveu o escritor, jornalista e colunista americano Richard Bernstein. Até os agnósticos estão na mira deles, pois para esses novos ateus: Deus não existe e ponto final.

 

“O mundo precisa despertar do longo pesadelo da crença religiosa”, disse o americano Steven Weinberg, ganhador do premio Nobel de Física.

 

Disse ele: “Tudo o que nós cientistas pudermos fazer para enfraquecer a influência religiosa deve ser feito, e essa talvez venha ser a nossa maior contribuição à civilização.” Um meio usado para isso é a palavra escrita, que pelo visto tem despertado bastante interesse, pois alguns dos livros dos novos ateus se tornaram best-sellers.

 

Ironicamente, a religião tem ajudado o movimento ateísta, pois as pessoas estão cansadas do fanatismo, terrorismo e conflitos religiosos que afligem o mundo. “A religião envenena tudo”, disse Salman Rushdie, autor do badalado livro Versos Satânicos. E muitos dizem que esse veneno inclui as crenças religiosas em geral, não apenas os conceitos extremistas. Os novos ateus dizem que os dogmas devem ser desmascarados, abandonados e substituídos pela lógica e razão. Afirmam que as pessoas precisam perder o medo de falar abertamente sobre o que o filósofo americano e ateu Sam Harris chamou de “montanhas de absurdos [contidos na Bíblia e no Alcorão] que levam à destruição da vida”. Ele acrescentou: “Nós não podemos mais nos dar ao luxo de sermos politicamente corretos”.

 

Embora os novos ateus condenem a religião, eles veneram a ciência, e alguns até mesmo afirmam que ela prova a inexistência de Deus. Mas será que consegue provar mesmo? Harris disse: “Com o decorrer do tempo, um dos dois lados vai realmente vencer essa discussão, e o outro lado realmente sairá derrotado”.

 

Os donos do poder, a elite dominante mundial, têm projetado novos ataques abertamente contra a existência do Criador. Grupos e Associações ateístas têm se mostrado militantes com atitudes infelizes em defesa de suas ideologias. O relativismo, a indiferença, o menosprezo e a perseguição contra a crença e a doutrina cristã são praticados de forma organizada e financiada por organizações que trabalham para a destruição da cultura, da tradição e da fé religiosa.

 

A FÉ VENCE TUDO

                                                            

Por 50 anos, o filósofo britânico Antony Flew foi um ateu muito respeitado por seus colegas. Seu ensaio Theology and Falsification (Teologia e Falsificação), de 1950, tornou-se a publicação filosófica mais reimpressa do século XX”. Em 1986, Flew foi chamado de o mais influente dos críticos contemporâneos do teísmo” (crença em Deus). Assim, muitas pessoas ficaram chocadas quando Flew anunciou em 2004 que tinha mudado seu modo de pensar.

 

O que levou Flew a mudar de idéia? Em poucas palavras: a própria ciência. Ele ficou convencido de que o Universo, as leis da natureza e a própria vida não poderiam ter surgido por mero acaso. Faz sentido essa conclusão?

 

COMO SURGIRAM AS LEIS DA NATUREZA?

 

O físico e escritor britânico Paul Davies afirma que a ciência consegue explicar muito bem os fenômenos naturais, como a chuva. Mas ele diz: “Quando se trata de... perguntas como ‘Por que as leis da natureza existem?’, a situação é mais complicada. As descobertas científicas não ajudam muitos a esclarecer esse tipo de dúvida. Muitas das perguntas mais importantes continuam sem resposta desde o início da civilização e ainda nos perturbam”.

 

Em 2007, Flew escreveu: “O mais importante não é o fato de haver regularidades na natureza, mas sim que elas são matematicamente precisas, universais e interligadas. O cientista alemão Albert Einstein referiu-se a elas como a ‘razão encarnada’. O que devemos perguntar é o que fez a natureza surgir do jeito que é. Essa, sem dúvida, é a pergunta que os cientistas, do cientista britânico Isaac Newton a Einstein e ao físico alemão Werner Heisenberg, fizeram e para a qual encontram a resposta. Essa resposta foi: a Mente de Deus”.

 

De fato, muitos cientistas renomados não acham que é anticientífico  acreditar numa Causa Primeira Inteligente. Dizer que o Universo, suas leis e a vida simplesmente surgiram por acaso não é intelectualmente satisfatório. Por exemplo, quando pensamos nas coisas que usamos no dia a dia, em especial aquelas que possuem um projeto complexo e sofisticado, fica claro que foi preciso alguém para projetá-las.

 

Os novos ateus defendem a idéia de que “toda fé religiosa é cega”, escreveu John Lennox, professor de matemática na Universidade de Oxford, Inglaterra, mas ele acrescentou: Precisamos deixar bem claro que quem pensa assim está errado. Então fica a pergunta: que fé resiste à lógica – a dos ateus ou a dos religiosos? Analise, por exemplo, a origem da vida.

 

Os evolucionistas admitem prontamente que a origem da vida ainda é um mistério – apesar de existirem muitas teorias conflitantes. O biólogo inglês Richard Dawkins, um dos novos ateus mais influentes, afirma que por causa da grande quantidade de planetas que deve existir no Universo é óbvio que surgiria vida em algum lugar. Mas muitos cientistas respeitados não tem tanta certeza. John Barrow, professor em Cambridge, disse que a crença na evolução da vida e da mente acaba num beco sem saída em todos seus estágios. “Existem tantos fatores que impedem a vida de evoluir num ambiente complexo e inóspito que seria pura arrogância sugerir que tudo é possível com a quantidade suficiente de carbono e de tempo.”

 

Lembre-se também que a vida não e apenas um conjunto de elementos químicos. Na verdade ela é baseada num tipo extremamente sofisticado de informações que estão codificadas no DNA. Assim, quando falamos da origem da vida, estamos falando também sobre informações biológicas. Qual é a única fonte de informações que conhecemos? Numa palavra: inteligência. Será então que uma série de acidentes produziria informações complexas, como um programa de computador, uma equação algébrica, uma enciclopédia ou mesmo uma receita de bolo? É claro que não! Muito menos as informações armazenadas no código genético dos organismos vivos, que são bem mais sofisticadas e eficientes.

 

Segundo os ateus, “o Universo é assim mesmo, cheio de mistérios e por coincidência possibilita a vida”, explica Paul Davies. “Se não fosse assim”, dizem os ateus, “nem estaríamos aqui para debater esse assunto. O Universo pode ou não ter uma complexa harmonia subjacente, mas não existe nenhum projeto, objetivo ou significado – pelo menos nenhum que faça sentido para nós”. A vantagem dessa postura, observa Davies, é que é fácil de ser assumida - tão fácil que serve de pretexto”, ou seja, um modo conveniente de fugir do assunto.

 

Em seu livro Evolution: A Teory in Crisis (Evolução: Uma Teoria em Crise), o britânico-australiano e renomado biólogo molecular Michael Denton concluiu que a teoria da evolução “parece mais um princípio de astrologia medieval do que uma teoria científica séria”. Ele também se referiu à revolução darwinista como um dos maiores mitos de nossos tempos.

 

O professor Lennox escreveu: quanto mais aprendemos sobre o nosso Universo, mais credibilidade ganha à hipótese de que existe um Deus Criador – que projetou o Universo com um objetivo – como a melhor explicação do porquê estamos aqui.

 

O professo Frantisek Vyskocil, da Universidade Charles, em Praga é conhecido internacionalmente por suas pesquisas em neurofisiologia. Antes ateu, hoje ele está convencido de que Deus existe. Tudo pelo estudo da ciência e de pesquisas gerais: Bibliologia, Teologia, História, Arqueologia e Filosofia.

 

São João Apóstolo afirma com categoria: “E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (Jo 5,4).

 

O verdadeiro conhecimento do ser humano é Deus (Jo 17,3). A verdadeira sabedoria para o bem de todos procede do Deus que é amor (Tg 1,5; Jo 4,8).

 

CONCLUSÃO

 

O respeito pela dignidade da pessoa humana está em conceber para ela toda forma de liberdade, de justiça, de amor e paz. Temos a missão de proclamar a Boa Nova de Jesus de Nazaré como forma total de libertação do fundamentalismo. É inaceitável que em pleno século XXI com toda a sua riqueza científica e tecnológica haja intolerância e incompatibilidade de convivência fraterna, principalmente na dimensão religiosa.

 

O fundamentalismo para os líderes religiosos é uma farsa, no entanto, para seus seguidores é uma realidade que se paga com a própria vida. O fundamentalismo é usado como ferramenta de domínio por aqueles que detêm o poder. Os líderes não acreditam nos dogmas que pregam – fingem acreditar – eles manobram o sistema religioso em prol de seus luxos e vantagens. Impõem pelo medo e por repetida doutrinação a crença de forma fundamentalista ao povo, e este a recebe por ignorância e pela fé cega. Os fiéis acreditam em seus líderes, daí, o erro é fatal.

 

O fundamentalismo é cemitério com sepulturas abertas e profundas. Infelizmente, vamos conviver com o fundamentalismo versus racionalismo, individualismo versus cooperativismo, materialismo versus espiritualidade, solidarismo versus clientelismo, cristianismo versus relativismo, equilíbrio versus fanatismo, ecumenismo versus divisionismo e comunitarismo versus separatismo.

 

É salutar afirmar que acreditamos na Providência Divina como o Senhor da História, da Verdade, da Esperança e do Futuro Glorioso.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja.

EFOR-Escola de Formação de Resende-RJ.

Especialista em Ciência Social da Religião

E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

 

Notas:

 

     (*) O Globo - O dia que marcou a década, 11/09/2011, p. 1.

     (#) O Estado de S. Paulo, 12/01/2012, p. D8.

(1)    Valor, 21-25/12/2007, p.26.

(2)    O Globo, 18/04/2010, p.32

(3)    Rubem Alves. O enigma da religião, Petrópolis – RJ: Vozes, 1979, p.117.

(4)    Zwínglio M. Dias (org.). Os vários rostos do fundamentalismo. Fórum Ecumênico Brasil. São Leopoldo – RS: CEBI, 2009, p. 37.

(5)    O Globo, 02/10/2011, p. 47.

(6)    Veja, 14/05/2003, p.14.

(7)    O Globo, 10/01/2010, p.27.

(8)    Os vários rostos do fundamentalismo, pp. 41 e 42.

 

Bibliografia

 

Zandra, Dario. Comunione e Liberazione: a fundamentalist Idea Power. In: A ccounting for fundamentalisms: the dynamic character of movements. The fundamentalism Projetc, v. 4, Marty E. Martin; Scott Appleby, R. (org.) Chicago: University of Chicago Press, Ltd, London 2004.

Amstrong, Karen. Em nome de Deus: fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Boff, Leonardo. Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.


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