Pergunte e Responderemos 016 – abril 1959

 

O Cristão e a Ioga

FILOSOFIA E RELIGIÃO

SEQUIOSO (Rio de Janeiro): “Que é IOGA, hoje em dia tão preconizada como via de perfeição para não-cristãos e cristãos?


Etimològicamente o termo ioga (ou yoga), de origem hindu, se prende aos nossos vocábulos «jugo, conjugai, juntar» ; exprime a ideia de «atrelar, unir, ligar», à semelhança talvez do termo «religião» (que alguns etimologistas derivam de «religare»). A junção ou união que a Yoga designa, é a união do homem com Deus ou, para falarmos diretamente na terminologia hinduísta, a união do homem aparente, tal como o conhecemos, com a realidade profunda e perfeita que se acha latente dentro de cada individuo.


Derivadamente yoga significa os métodos recomendados pelos mestres para se atingir tal objetivo. Essas táticas, por variadas que sejam, visam dominar as energias do corpo e da alma, mobilizando-as todas a fim de que; com o máximo de eficácia e proveito, a personalidade se desdobre e realize ou «divinize».


A técnica da yoga, hoje disseminada em vários países do Ocidente, é herança recebida da antiga civilização hindu, a qual conta possivelmente cinco milênios de existência. Sendo assim, interessa-nos primeiramente verificar as notas características da yoga hindu, para depois examinar em que medida são assimiláveis ao Cristianismo.


1. A Yoga hindu

Distinguiremos entre a ideologia e a prática professadas pela Yoga hindu.


1. A ideologia: A Yoga, em sua forma originária, é inspirada pelas principais teses da mística hindu, teses que será preciso recordar brevemente a fim de se poder apreciar a mensagem yoguista. Podem-se resumir nos seguintes itens:


1) . O homem que tenda a união com Deus, não procure fora ou acima de si uma Realidade Primeira, que seja objeto de contemplação ou modelo a imitar. É, ao contrário, dentro de si que o indivíduo deve procurar penetrar; ele é, em estado latente, essa realidade mesma que tanta gente procura fora de si. Em outros termos: o espírito humano, cujas virtualidades a Yoga visa cultivar, é parte do Espírito Universal ou do Principio Divino (divindade). Não há distinção essencial entre espírito humano e espírito divino, nem entre o mundo e a Divindade; o homem é centelha emanada do Fogo Divino.


2) Fora do homem, só existe um mundo de ilusões ou de realidades meramente aparentes. As realidades externas, na medida em que prendem a atenção do indivíduo (o que se dá tão frequentemente), impedem-no de tomar conhecimento do seu verdadeiro Eu. Daí a tendência fundamental de todo yógui (assim se chama o praticante da Yoga) a evadir-se das coisas exteriores, visíveis, para concentrar-se em seu íntimo; o yógui não visa de modo nenhum o «êxtase», ou seja, um «transportar-se» mental para um Objeto maior e mais belo (de que falam as outras escolas de mística), mas, ao contrário, procura um estado de «êxtase» ou de entrada total em si mesmo.


Em suma, o yógui hindu tende à sua consumação primariamente por via de negação: nega o universo, que para ele não tem sentido ou é mera ilusão; nega o corpo, que só proporciona prazeres fictícios ou autêntico sofrimento; nega também a alma ou o «Eu que pensa e age» com a sua consciência habitual... - Executadas consequentemente, essas negações o devem levar ao domínio sobre o mundo exterior e à plena liberdade interior; o homem perfeito não é mais afetado pela percepção das coisas sensíveis nem pela recordação das mesmas; ele atinge a centelha divina que, colocada no seu intimo, constitui o seu verdadeiro Eu.


2. A prática: Movido por este ideal, o yógui lança mão de recursos técnicos para conseguir o seu fim, recursos entre os quais ocupa lugar preponderante a meditação.


Meditação, para o homem ocidental, significa primariamente reflexão ou raciocínio discursivo em torno de determinado tema; envolve o trabalho da inteligência, da fantasia, da memória e, por fim, o da vontade. Não é assim, porém, que o yógui hindu concebe meditação: esta vem a ser, para ele, a aplicação silenciosa das faculdades da alma a determinado objeto; nesse exercício, não há raciocínio discursivo, pois justamente o yógui procura desembaraçar-se da multiplicidade dos seres, multiplicidade envolvida em todo raciocínio; procura esvaziar a mente de todos os seus conceitos habituais, dela fazendo uma folha branca ou uma tábua rasa. Assim é que a alma se emancipa do rebuliço do mundo sensível, entra em repouso ou no gozo da união com a Alma Universal; destarte, ainda se pode dizer, o espírito do homem volta ao seu princípio, identifica-se com a Divindade.


Um passo adiante: a fim de poder meditar com todo o proveito, o yógui se esforça por tornar-se senhor de seu corpo e de todos os seus movimentos naturais. Dois são os tipos de instrumentos mediante os quais ele procura chegar a essa soberania:

 

a) a abstinência e as virtudes conexas. Base imprescindível do itinerário yoguista é a abstinência (yama) em seus vários aspectos, tais como: a não-violência (o yógui abstém-se de qualquer pensamento, palavra ou ação que possa acarretar sofrimento a algum ser vivo); a veracidade (ou fuga de toda mentira e hipocrisia); a castidade (o orante procura evitar mesmo as emoções eróticas); a pobreza e o respeito dos bens alheios.


Essa múltipla abstinência, porém, tem que ser fecundada pela prática de cinco virtudes positivas (Niyâma): 1) a pureza (pureza externa e pureza interna ou de coração); 2) o contentamento com tudo que aconteça, de agradável ou desagradável, na vida cotidiana; 3) a austeridade de vida, que contém o indivíduo constantemente dentro de certas normas; 4) o progressivo conhecimento de si mesmo; 5) a adesão ou o abandono de si à Divindade.

A outra categoria de instrumentos favoráveis à meditação diz respeito mais diretamente ao corpo; é

 

b) a disciplina das atitudes somáticas (Asanas). Há reconhecidamente certas posições do corpo que estimulam o metabolismo, ativam a circulação do sangue, fomentam o funcionamento das glândulas e acalmam os nervos, proporcionando consequentemente ao espírito a paz e o bem-estar oportunos para a concentração; toda a energia espiritual latente no intimo do indivíduo é assim mobilizada. O yógui hindu pratica habitualmente 84 dessas posições de meditação, sendo vinte delas acessíveis a qualquer pessoa dotada de forca de vontade (a titulo de exemplos, vão aqui enumeradas, segundo os seus nomes característicos, as posições «da grande saudação, da árvore, da serpente que se defende, do delfim, do arco teso, do grande derrubamento, da folha dobrada, da candeia, do carro, do poste...»).


Ainda entre os meios de disciplina do corpo, ocupa lugar de relevo especial na Yoga o controle da respiração (prânâyâma).


Os hindus valorizam de modo especial o papel que toca à respiração nos fenômenos vitais: não há dúvida, a respiração influencia decisivamente o funcionamento dos órgãos, como por sua vez este repercute decisivamente sobre aquela ; note-se, por exemplo, como os estados emocionais (de temor, aflição, alegria, ira, vergonha...) alteram o ritmo da respiração.


O yógui procura colocar sob o controle da vontade o próprio reflexo automático da respiração; esta se torna então novo fator de canalização das energias do indivíduo; nenhum orante hindu entra em meditação sem ter prèviamente purificado os canais do corpo e despertado o espírito mediante respiração profunda e cadenciada; durante muito tempo mesmo os hindus guardavam o segredo a respeito de certas receitas respiratórias.


Voltando às posturas do corpo, notaremos que a mais estimada pela Yoga é a chamada «postura do herói» ou «postura perfeita» ou ainda «lotus» ; o orante se coloca então de cócoras, e concentra seu olhar em determinado ponto, como seja talvez a ponta do próprio nariz; pode também acontecer que feche os olhos e volte sua mente para um dos centros vitais importantes do organismo, isto é, para o coração, considerado sede das emoções ; a testa, tida como sede das faculdades intelectuais ; o ápice da cabeça, etc. É o guru ou mestre espiritual quem deve escolher para o discípulo o «lugar» mais oportuno em que ele há de concentrar o seu olhar ; o mesmo mestre também lhe indica o objeto da meditação : uma árvore, uma fruta, uma paisagem, ou então a figura de um dos deuses prediletos. Este objeto, o yógui o situa mentalmente no «lugar» da concentração (coração, testa...) e aí o contempla com todos os respectivos por- menores. Aos poucos, dizem os mestres, tudo que há de sensível na imagem desaparece, e o yógui entra na contemplação de uma só ideia, cada vez mais pura, encarnada em tal objeto sensível: a ideia da bondade, a do poder, a da força, a do amor... Não será preciso acrescentar que, assim contemplando, o orante se vai aproximando do verdadeiro Eu.


Para fixar a mente, outro método também se recomenda: é o japa ou a repetição continuada de um nome santo, de uma prece, de um versículo dos livros sagrados («Eu sou Brama, Eu sou a Consciência mesma, Eu sou Isso...»). Essas palavras, repercutindo no ouvido, penetram até o subconsciente da alma, onde fazem surgir a Divindade... ou, em outros termos, essas palavras provocam uma espécie de obsessão, que elimina da mente toda ideia profana.


Numerosas são as combinações possíveis de exercícios físicos ensinados pela Yoga; o uso desses métodos está condicionado pela índole do aprendiz (em uns predomina a atividade intelectual consciente, em outros a necessidade do trabalho e a dedicação, em outros a sede de ascese ou disciplina, etc.); de acordo com essas diversas categorias de temperamentos, distinguem-se diversos métodos ou correntes da Yoga: a Yoga do Conhecimento, a da Devoção, a da Ação, a Yoga Régia, etc.


Em resumo, poderíamos exprimir a mensagem da Yoga hindu ao mundo contemporâneo nos seguintes termos :


«A arte do yógui é a de se estabelecer no silêncio absoluto, criar em si como que uma grande ausência de pensamentos e ilusões, afastar tudo, esquecer tudo, excetuada esta ideia — nó vital do sincretismo hindu: o verdadeiro Eu do homem é divino; esse Eu é Deus, o resto é silêncio» (Yogin du Christ, La voie du silence 1956, 44).

 

Essas noções já são suficientes para se tentar agora definir a atitude do cristão perante a mística yoguista.

 

2. O cristão e a Yoga

 

A fim de se avaliar devidamente o ideal da Yoga, torna-se necessário distinguir entre a filosofia pressuposta pelos mestres hindus e os métodos que eles ensinam.


1. A ideologia ou a mentalidade dos documentos fundamentais dá Yoga evidencia-se incompatível não somente com a Revelação cristã, mas também com a sã filosofia. Seja lícito tecer em torno de tal mentalidade as seguintes considerações:

 

a) o panteísmo é doutrina comum da religiosidade hindu e, por conseguinte, também da Yoga oriental; é porque julga ser Deus ou parcela de Deus que o yógui tende à união com a Divindade, procurando o seu autêntico Eu no íntimo de si mesmo.


Verdade é que quase todo yógui hindu reconhece o seu ishvara ou a sua Divindade tutelar concebida como se fosse um Deus pessoal ; embora professe que só Brama é Deus, êle adora Krishna ou Shlva...; o hindu justificaria esta atitude afirmando que cada ishvara pessoal, particular, é apenas uma forma ou manifestação do grande e único Ishvara; a personalidade, para o hindu, representa um grau de ser inferior ao grau impessoal.


À luz destas premissas,.-entende-se o que é oração para o yógui hindu Quando este invoca Deus (e há muitas preces da Yoga assim concebidas), não invoca um Deus pessoal, como costumam fazer os homens ocidentais ; mas dirige-se a um arquétipo ou exemplar totalmente inativo, projetado pela própria mente do yógui; esse Deus é como que o foco virtual do yógui, o ponto de fuga de sua perspectiva, nada mais. — A Yoga é essencialmente a arte em que o indivíduo procura com todas as energias obter de si mesmo tudo que ele possa obter; ele nada espera de um Deus transcendente, mas visa realizar por si a sua própria divinização, de modo a poder dizer: Por meus exclusivos esforços tornei-me o que sou.


Ora o panteísmo (que, em última análise, vem a ser ateísmo) é evidente aberração aos olhos da própria razão humana, pois professa transição do finito para o Infinito, do contingente para o Absoluto e vice-versa, como se o Infinito não fosse senão uma prolongada série de parcelas finitas (ulteriores observações a respeito encontram-se em «P. R.»
7/1957, qu. 1).

 

b) Negando estrita distinção entre a Divindade e o mundo, a Yoga tende a cancelar também a distinção entre espírito e matéria; toda experiência psíquica reduzir-se-ia a simples processo material. No setor da moral yoguista, a pureza, a bondade não aparecem propriamente como qualidades do espírito, mas como estados purificados da matéria sutil.


Eis, porém, que a razão humana ensina a distinção entre espírito e matéria ou entre alma e corpo (cf. «P. R.»
7/1958, " qu. 1): o espírito tem atividade emancipada da matéria; por conseguinte também existe independentemente da matéria, não é matéria (pois o modo de agir corresponde ao modo de ser).

 

c) a depreciação de tudo que é corpóreo, como se fosse a grande ilusão cósmica (maya), inspira-se em pessimismo pouco razoável. O mesmo se diga da distinção entre o verdadeiro e o falso Eu. A sã filosofia professa, sim, a realidade das coisas sensíveis; estas são..., e são boas, embora na hierarquia dos valores ocupem lugar inferior ao do espírito e, consequentemente, mereçam menos apreço do que as realidades espirituais. O mundo visível pode tornar-se armadilha e ocasionar ilusão, mas não é por si mesmo ilusão nem falácia. Esta afirmação baseia-se no fato de que tanto a matéria como o espírito são criaturas de um só Criador; todo ser finito deve sua existência ao Ser Infinito e, em suas proporções, é bom como Este é bom.


Eis algumas observações sobre as doutrinas capitais que animam a Yoga hindu. Verifica-se, porém, que no moderno surto de yoguismo muitos autores afirmam «não estarem as práticas dos grandes yóguis indissoluvelmente ligadas aos conceitos particulares da teologia hindu» (cf. J. Herbert, La spiritualité hindoue 424). Apregoam mesmo ser possível a um cristão usufruir da técnica dos yóguis sem abandonar proposição alguma da fé cristã ; em vista disto, preconizam uma substituição de nomes hindus por nomes cristãos, como se no fundo houvesse equivalência entre a ideologia hinduísta e a ideologia cristã: dizem-nos, por exemplo, que o cristão teria todo o direito de falar de Deus Pai onde o yógui fala de Brama ; ou de Cristo, onde o hindu menciona Rãma, Shiva ou Hari; ou de Maria, onde a Yoga se refere a Kâlf. A frase de Cristo : «Eu e o Pai somos um só» (Jo 10, 30) corresponderia exatamente à afirmação frequente nos Upanishads: «Eu sou Tal» (=Eu sou Deus); o sermão sobre a montanha (Mt 5-7) não seria senão modalidade de um texto de Karma-Yoga; os Salmos e o Cântico dos Cânticos exprimiriam elevações de alma como as que se encontram na Brâgavata-Purâna e nos cânticos de Kabír e Râmprasâd.


Estas tentativas de identificação são extremamente capciosas; inaceitáveis, porém, para um cristão. O hindu pode querer pactuar com o Cristianismo dentro de um ecleticismo amorfo ; o cristão, porém, não reconhecerá tal sincretismo, pois tem consciência de que possui a Verdade e de que a Verdade é um Absoluto ; tudo que não se adapte a ela, só a contamina, contradizendo às aspirações mais nobres da alma humana.


Ora são irredutíveis uma à outra a concepção cristã e a concepção hinduísta. O cristão professa, sim, um só Deus pessoal, transcendente, Criador bom de todos os seres. Esse Deus assinala a cada indivíduo uma vida (e uma só, não sujeita a reencarnações) aqui na terra, a fim de que o homem utilize a sua inteligência e a sua vontade para aderir ao Criador e faça que outras criaturas deem glória ao Altíssimo. Otimismo, portanto, em relação ao mundo material. — O Cristianismo assevera outrossim que a desordem verificada no homem e em torno do homem se deve a uma revolta dos primeiros pais contra o seu Autor, revolta que convulsionou a própria natureza humana e os seres inferiores; Deus, porém, houve por bem tirar a criatura do triste impasse em que se colocou, oferecendo-lhe Redenção. Para o cristão, por conseguinte, a salvação vem a ser dom de Deus, e dom gratuito que o indivíduo não pode forçar por método algum ; é na fé, na esperança, no amor filial e na humildade que o cristão recebe a graça do Redentor e procura guardá-la ciosamente.


Tais são, em rápido esboço, as grandes idéias que norteiam o comportamento do cristão nesta vida. Acrescente-se agora que, embora a libertação espiritual, para o discípulo de Cristo, não seja produto de receitas nem de técnicas humanas, mas dom do Salvador, ela não obstante exige toda a colaboração do homem; o cristão, longe de ser destinado a uma atitude passiva e mórbida diante do Criador, é chamado a desenvolver todo o seu heroísmo para deixar que o dom de Deus nele penetre. Por isto os mestres cristãos sempre ensinaram métodos de oração e penitência, que visam despertar a energia do indivíduo e levá-la para Deus (haja vista a espiritualidade dos antigos Padres do deserto, a dos grandes legisladores monásticos, a de S. Francisco de Assis, a de S. Domingos, a de S. Inácio de Loiola, a de S. João da Cruz, etc.). Cada um desses métodos pode contar séculos de uso benfazejo na Santa Igreja...


2. A técnica: do yógui. Eis que neste estado de coisas é apresentada aos cristãos contemporâneos mais uma técnica de vida espiritual: a Yoga.


Para definir sua posição diante da oferta, o discípulo de Cristo deverá, antes do mais, desembaraçar essa técnica de todas as aderências da teologia hindu com que é geralmente apresentada; interessam-lhe apenas as recomendações yoguistas que visam tornar corpo e alma mais maleáveis à graça de Deus. A espiritualidade cristã sempre reconheceu a dependência da alma em relação ao corpo, assim como a notável influência que o ritmo do organismo exerce sobre as funções do espírito (a respeito das relações entre pensamento e cérebro, veja-se «P. R.»
15/1959, qu. 1); por conseguinte, todos os procedimentos que possam servir para explorar devidamente as energias do corpo, serão sempre bem-vindos dentro do Cristianismo; é o que faz que o cristão não recuse valer-se das experiências de seus irmãos orientais nesse setor prático.


Ser-lhe-á licito, portanto, utilizá-las, desde que o faça com mentalidade genuinamente cristã, evitando todo proceder diretamente inspirado por erros doutrinários. Experiências desse gênero já têm sido efetuadas por alguns monges, entre os quais aquele que, sob o título de «Yogin du Christ», narra os bons resultados assim obtidos no seu livro «La voie du silence» 1956. Está claro, porém, que, para o cristão, o método yoguista nunca se imporá com necessidade absoluta; será sempre um meio, não um Fim, e um meio entre outros; o temperamento pessoal de cada indivíduo, a ação própria da graça de Deus farão ver em que medida a técnica hindu é ou não recomendável para cada um em particular. O yógui cristão, mediante a sua metodologia, procurará sempre crescer na humildade e no amor de Deus, evitando a sedução da auto- -suficiência; o seu objetivo será não o «êxtase» hindu ou esquecimento incondicional de todas as criaturas exteriores, nem o «êxtase», graça concedida por Deus em circunstâncias extraordinárias, mas a experiência da presença de Deus, que pela graça santificante habita a alma do justo; é tal experiência que constitui o estado místico.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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