BíBLIA (2524)'
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Artigo

INTRODUÇÃO A ESDRAS


No texto hebraico e na versão dos LXX, Esdras e Neemias constituem um só livro, com o título comum de Esdras. Mas já no tempo de Orígenes (inícios do séc. III) eram divididos em dois. Na Vulgata latina são intitulados I e II de Esdras. Desde épocas longínquas, porém, chamam-se habitualmente Esdras e Neemias, nomes tomados da principal personagem de cada um deles.

Com o título de 3? de Esdras, as Bíblias latinas (1 Esdras nas gregas) contam com um livro composto de 9 capítulos, e que apresenta versão diferente daquela dos dois últimos capítulos das Crônicas, de todo o Esdras (com a transposição de 4,7-24 no fim do c. 1) e de Neemias 8,1-12. Além disso, tem de próprio a longa descrição (3,1-5,6, antes de Esdras 2) de uma disputa literária entre três pagens da corte de Dario, o terceiro dos quais, Zorobabel, tendo saído vencedor, obteve do rei todas as facilidades para reconduzir à pátria os seus compatriotas judeus. Por causa desse relato não canônico, isto é, não inspirado, todo o livro foi colocado pela Igreja católica entre os apócrifos.

O livro canónico de Esdras-Neemias descreve a volta dos judeus do exílio babilónico e a restauração religiosa, e, em parte, também a política da sua comunidade.

Por sua própria natureza divide-se em três partes, em cujo centro estão as três personagens que encabeçam o movimento.

1. Regresso, sob as ordens de Zorobabel, no tempo de Ciro (no 537 a.C.) e reconstrução do templo (Esd 1-6).

Decreto de Ciro permitindo a reconstrução do templo (1); elenco dos judeus que regressaram guiados por Zorobabel (2). Ereção do altar (3,1-6) e início da construção do templo (3,7-13); obstáculos da parte dos adversários e suspensão dos trabalhos (4,1-5). Obstáculos opostos mais tarde pelos inimigos à reconstrução da cidade (4,6-24). Prosseguimento da construção do templo, término e inauguração entre grandes solenidades (5-6).

2.   Retorno sob a direção de Esdras, no sétimo ano de Artaxerxes, e reforma dos costumes (Esd 7,10).

Esdras obtém de Artaxerxes rescrito favorável (7); preparativos para a volta (8,1-30); partida e chegada a Jerusalém (8,31-36). Deploração da desordem dos matrimônios mistos (9), que são suprimidos (10,1-17). Rol dos culpados (10, 18-44).

3.   Regresso de Neemias, no vigésimo ano de Artaxerxes, reconstrução da cidade e restauração religiosa (Ne 1-13).

Tendo recebido notícias alarmantes, Neemias obtém do rei permissão para ir a Jerusalém (1,1-2,10); inspeção das muralhas e decisão de reconstruí-las (2, 11-20); elenco dos que restauraram alguma parte delas (3); oposição e insídias de Sanabalat e outros inimigos (4). Extirpação da desordem econômico-social (5). Novas insídias dos inimigos; apesar delas, a muralha é terminada (6). Recenseamento do povo: elenco dos repatriados (7,6-57 = Esdr 2,1-55). Leitura pública da lei mosaica e festa dos Tabernáculos (8). Confissão pública e penitência (9); solene renovação da aliança com Deus (10). Medidas para repovoar Jerusalém (11,1-24); outras cidades repovoadas (11,25-36). Lista dos sacerdotes e levitas (12,1-26). Dedicação das muralhas de Jerusalém (12,27--42). Regulamentação das ofertas sagradas e dos matrimônios mistos (12,43-13, 14.23-31); medidas para a observância do sábado, no ano trigésimo segundo de Artaxerxes (13,15-22).

Os fatos aqui narrados abrangem o período de um século aproximadamente (537-432 a.C.), período importantíssimo para a história do povo eleito e da religião em geral. O autor não pretende, porém, deixar-nos uma história completa daquele período memorável, mas descreve-nos apenas os fatos principais, agrupados mais segundo uma ordem lógica do que segundo a sucessão cronológica.


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