A Expansão da Reforma Protestante

 

O célebre historiador e professor da Universidade de Harvard e da Universidade de Melbourne Dr. Geoffrey Blainey escreve: “As primeiras décadas da Reforma se assemelham aos primeiros anos do Islã: os reformadores dependiam ao mesmo tempo da espada e da palavra. A mensagem de Martinho Lutero não poderia ter conquistado um grande território em ambas as margens do báltico sem o apoio de príncipes e de regimentos. João Calvino teve sucesso somente por que foi apoiado pelos governantes da república Suíça de Genebra. Na França, sua doutrina, fracassando em conquistar o monarca começou a perder suas bases fortes no sul e no oeste do território” (1).

 

Na Suíça o reformador Huldreich Zwínglio, recebeu do conselho da cidade o decreto de aceitação dos princípios da reforma. Em Basiléia pela influência de um amigo e autoritário, chamado Johannes Oecolampadius a reforma foi implantada.

 

Imagem: Martinho Lutero, Prostesto contra o Cristianismo Católico

É bom lembrar que Zwínglio morreu lutando no campo de batalha.

O intolerante reformador alemão Lutero, se referindo a seus companheiros, por discordarem do ponto de vista de Lutero sobre a ceia do Senhor, disse: “Não vejo nenhuma razão para ser mais caridoso com os “falsos irmãos” do que com os inimigos de Roma” (2).

 

Tomás Müntzer e os camponeses sofreram impiedosamente nas mãos de Lutero e seus companheiros; Felix Manz e os anabatistas foram executados por afogamento por Zwínglio e seus amigos; opositores de Calvino, principalmente o médico espanhol Miguel Servet, foram executados sem dó e sem piedade (3).

 

“A “reforma protestante” se expandiu rapidamente porque foi imposta de cima para baixo sem exceção em todos os países em que logrou vingar. O povo foi obrigado a “engolir” as novas doutrinas porque os reis e príncipes cobiçavam as terras e bens materiais da Igreja Católica. Foi com olhos postos nesta riqueza que os soberanos ”escolheram” para si e para seu povo as doutrinas dos "novos evangelistas". Prova isto o fato que as primeiras providências eram recolher ao fisco real tudo o que da Igreja Católica poderia se converter em dinheiro’’.

 

“Em nenhum país cuja maioria hoje é protestante a conversão se deu com a Bíblia na mão. Foram convertidos a fogo e ferro, graças à ambição de reis e príncipes. Exceção feita no presente século em que a tática mudou. Agora o que ocorre é uma invasão maciça de seitas de todos os matizes, cores e financiadas pelos EUA. Pregam um cristianismo fácil, recheado de promessas de sucessos financeiros instantâneos ou, quando não, promovem como saltimbancos irresponsáveis shows de exorcismos e curas às talargadas. Antes se matava se o corpo, hoje se estraçalha a razão e o bom senso”. Afirma Dr. Udson Rubens Correia (4).

 

O ESFACELAMENTO PROTESTANTE

 

“O protestantismo, devido à falta de real autoridade e estrutura dogmática, vem-se diluindo a cada dia, surgindo milhares e milhares de denominações. Existem hoje mais de 33.800 denominações religiosas, com ensinamentos contraditórios”(5).

Dave Armstrong Ex–missionário protestante

 

Lutero ensinava o "Sola scriptura", ou seja, somente a Escritura. Parte daí o princípio subjetivo do “livre exame”, isto é, cada crente pode e deve ler a Bíblia sem levar em conta alguma instrução ou direção do magistério da igreja; cada qual pode interpretar e ensinar a Bíblia segundo a sua consciência e autoridade. Se o crente entende que a sua igreja está pregando diferente do seu entendimento, pode separar–se dela e fundar outra igreja.

 

Esse ensinamento causou e continua causando um esfacelamento sem precedentes na história do cristianismo, criando assim, o maior escândalo para a fé cristã. Esse crescimento de novas igrejas protestantes faz renascer novas e antigas heresias terríveis, que cada vez mais distanciam-se da Sagrada Escritura e da Santa Tradição. Dizia o teólogo Francês Pierre Teilhard de Chardin: “Sem a Igreja Cristo se esfacela”. O protestantismo estilhaçou Jesus Cristo, o fundador apenas de UMA IGREJA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA.

 

A Lástima de Lutero

 

Vários motivos fizeram Lutero se lamentar pelo cisma que provocou na Santa Madre Igreja, vejamos: a carnificina contra os componentes; a separação de Zwínglio e seus companheiros, devido a discordância sobre a Ceia do Senhor; a perda de apoio de pensadores eruditos como Erasmo de Rotterdã; o fanatismo de vários grupos anabatistas; a intolerância calvinista; muita gente perdeu a fé por motivos de contendas doutrinárias, ambição dos príncipes e reis pelo patrimônio da Igreja; terríveis guerras religiosas e a grande vergonha do escândalo da divisão da Igreja Cristã diante dos muçulmanos, judeus, da Igreja Ortodoxa e posteriormente dos iluministas, racionalistas, ateus e livres pensadores e do mundo inteiro.

 

Lutero reconhece o prejuízo da sua rebelião contra a Tradição e o Magistério da Igreja. Seus escritos provam as suas lástimas:

 

“Este aqui ouvirá falar do batismo, e aquele nega o sacramento, outro põe um mundo entre isto e o último dia: alguns ensinam que Cristo não é Deus, alguns dizem isso: há tantas seitas e credos como há tantas cabeças”.

 

“Nenhum rústico é tão rude quanto se ele tiver sonhos e fantasias, e pensar que é inspirado pelo Espírito Santo e deve ser um profeta”. (De Wette III, 61. Citado em O’Hare, Os fatos sobre Lutero, 208).

 

“Nobres, cidadãos, camponeses, parece que todas as classes entendem o Evangelho melhor que eu ou São Paulo. Eles são agora sábios e se pensam mais entendidos que todos os ministros.” (XIV de Walch, 1360. Citado em O’Hare, Ibid, 209).

 

A roupa que os protestantes vestem Jesus é uma colcha de retalhos e a burca de Lutero esconde a beleza da unidade cristã.

 

Lutero e outros estilhaçaram o cristianismo. Já que a Bíblia é para os protestantes a única regra de fé e prática podemos perguntar: “Onde se encontra na Sagrada Escritura o ensinamento para fundação, divisão, construção de templos, nomes para “igrejas” e seitas?”.

 

Os protestantes devem refletir profundamente nesses versículos:

“Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistira” (Mt 12, 25).

“Para que todos sejam um, como nós somos um” (Jo 17, 21. 22).

“… Que não haja antes vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Cor 1, 10).

“Está Cristo dividido?” (1 Cor 1, 13).

“Portai–vos de modo que não deis escândalos nem aos Judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (1 Cor 10, 32).

“Faça–se tudo para edificação. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1 Cor 14, 26. 33).

“Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado. Antes, como ministro de Deus, tornando–nos recomendáveis em todo” (2 Cor 6, 3. 4).

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Fe 2, 3).

“Para que saibas como convém andar na casa de Deus vivo, a coluna e firmeza de verdade” (1 Tm 3, 15).

“Cristo é a verdade, assim também é a sua Igreja. Cristo é a cabeça e a Igreja é seu Corpo” (Cl 1, 18).

 

Unidade da ortodoxia da fé mistagógica.

O erro terrível dos reformadores foi tentar separar o inseparável, pois é impossível separar estas duas mistagogias, o mistério da nossa abissal teologia católica; no entanto, separaram–se do Corpo de Cristo e fundaram corpos estranhos. Tentaram reformar e criaram uma obra deformada e estilhaçada. Pensaram em restaurar, criar uma nova Igreja, mas na verdade ressuscitaram uma nova babel.

 

Voltemos ao ensinamento de São Paulo Apóstolo: “Procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos” (Ef 4,3 – 6).

 

Diz o editorial da revista evangélica Impacto, n° 51: “O vírus nocivo da heresia protestante foi passado de geração em geração, tornando–se hoje, nos meios evangélicos, muito mais forte e destrutivo ainda do que era no principio”.

 

Conclusão: Por detrás dos cismas e das heresias, estão os homens sem humildade, sem submissão, sem amor, sem união e sem justiça.

 

A vontade de ser líder religioso para receber aplausos, fama do povo e glória mundana do poder político e econômico faz levar o homem a praticar qualquer coisa, até vender a alma ao diabo.

 

Onde impera a divisão, predomina contenda, a ganância e erro, a mentira, o egocentrismo, a injustiça e todo tipo de violência.

 

Onde reina a unidade, impera o bom senso, a verdade, o amor, a concórdia, a paz e a justiça. O maior milagre sobre a unidade da fé cristã se encontra na Igreja Católica. Até os inimigos do catolicismo admitem esse prodígio.

 

A Igreja Católica de Cristo é indefectível. Ela trabalha pela restauração completa da unidade cristã. Todos são convocados para orar e trabalhar por esse tão grande e maravilhoso projeto. A unidade é o sinal que favorece em larga escala a conversão do mundo ao Cristo Salvador.

 

Pe. Inácio José do vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo - Professor de História da Igreja  - Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E–mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
 
 
Notas e Bibliografia
 
(1) Blainey, Geoffrey. Uma breve história do mundo São Paulo: Editora Fundamento, 2008, p.193.
(2) Revista Impacto, maio – Junho 2007, p.14.
(3) Cairns, Earle E. O cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1995, pp. 246 e 254.
(4) Moura, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e as igrejas evangélicas, São José dos Campos: Editora com Deus, 2005, pp.184 e 186.
(5) Moura, Jaime Francisco de. Porque estes ex–protestantes se tornaram católicos! São José dos Campos: Editora com Deus, 2006, p. 18.
 Bettencourt, Estêvão. Igreja Católica, denominações cristãs e correntes religiosas, Aparecida, SP: Editora Santuário, 1999.
 Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de. Uma história que não é contada, o trabalho da Igreja Católica para salvar e construir a nossa civilização, Lorena, SP: Cléofas, 2008.
 Vieira, Pe. Arlindo, S.J. Que pensar sobre o protestantismo de hoje? Manhumirim, MG: O Lutador, 1960.


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