Dilemas, escolhas, decisões

 

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice; entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu desejas!” (Lc 22, 42)

 

A vida é feita de escolhas. A todo instante somos impelidos a escolher, decidir. Descartar algo para aceitar um outro valor ou coisa: qual profissão escolher; qual faculdade cursar; qual pessoa namorar; faço ou não essa cirurgia de risco; aceito ou não esse dinheiro sujo; Passamos por muitos dilemas que nos tiram o sono, o apetite, a paz interior, a estabilidade emocional etc. Mas é preciso saber lidar com os dilemas. A primeira coisa que nos ajuda a lidar bem com os dilemas é a liberdade interior que nos faz viver sem temer os riscos. Qualquer escolha que fizermos pode nos trazer riscos. Aliás, todo modo de vida acarreta riscos.

Jesus entendeu bem isso quando se viu na imensa tensão de escolher entre a cruz e o poder político. Com a capacidade que Jesus tinha de conquistar as pessoas com seus gestos e palavras, Jesus poderia, se quisesse, atrair para si todo poder e riqueza e exercer domínio político sobre não apenas Israel, mas sobre todas as nações. Poderia difundir seu evangelho com muito mais facilidade: conquistando o poder político, poderia ser Rei temporal das nações, nomear seus discípulos como seus encarregados e construir um reino humano mais e mais fraterno.

No entanto, não era esse o desígnio de Deus. A batalha de Jesus não era contra o poder político deste mundo mas contra satanás e suas potestades malignas. Contra o mal instalado no coração do homem. O reinado que ele almejava era sobre os corações humanos. Ele sabia o que queria, o que devia saber, que valores estavam em jogo e por isso escolheu a cruz como meio de derrotar o poder de satanás sobre os corações da humanidade.

Percebe como são claros os critérios que Jesus adota para fazer suas escolhas? Percebe como ele tinha claro o seu objetivo? Percebe como ele colocou o amor pela humanidade acima de valores mesquinhos e poderes passageiros? Um reinado temporal não salvaria a humanidade inteira. Um reinado atemporal salvaria a humanidade e tem salvo.

Jesus tinha o coração livre para escolher. Não se prendeu a preconceitos, poder, riqueza. Passou por cima do medo de ser humilhado, insultado. Não se prendeu aos pensamentos comuns que temos sempre: o que vão pensar de mim? O que vão dizer? Vai ser difícil! Vai doer! Vou perder a credibilidade, o carinho de alguns, o respeito de outros. Jesus foi livre interiormente.

A partir disso, podemos pensar em oito critérios que podem nos ajudar a tomar decisões:

·         Procure alguém que você julga ter maturidade para ouvir e aconselhar;

·         Não tenha medo do que irão pensar; tenha medo do que você pode deixar de ser se não escolher isso;

·         Foque naquilo que você mais acredita, naquilo que é essencial para você;

·         A escolha certa geralmente é aquela que é mais difícil; desconfie das facilidades;

·         Escolher o certo implica perder coisas às quais nos acostumamos, mas é preciso ser despegado;

·         Vença seu orgulho, seja humilde para escolher e aceitar as consequências da sua escolha;

·         Peça discernimento a Deus para escolher aquilo que é bom, mesmo que não seja fácil;

·         Não tenha medo de errar na sua escolha: às vezes a gente precisa ir aonde Deus não quer, para poder descobrir aonde Ele quer que a gente vá;

 

Ademais, é preciso respeitar o nosso tempo de amadurecer as nossas escolhas. Quando o coração está pronto para escolher, geralmente paira calmaria, paz. Mesmo que a insegurança exista, a paz interior fala mais alto. Atenção! Numa escolha sempre haverá dúvidas. Mas na dúvida não pode haver uma inquietação muito grande. Quando há sinais de inquietações é sinal de que você ainda não está pronto. Respeite o seu tempo, não o atropele. Uma escolha bem pensada e discernida traz paz interior, desejo de perseverar diante das dificuldades e acima de tudo amadurecimento humano e cristão. Diante dos medos e das dificuldades escute sempre a voz de Jesus dizendo: tende bom ânimo, pois eu venci o mundo! (16,33)

Victor Vidal

(Filósofo, Teólogo, Cantor e Compositor)

 

 

           

 

 

 

 

 


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