Sou virgem e daí...!

 

Sergio Sebold

Economista e professor independente

seboldunico@gmail.com

 

 

Em nossas palavras podemos dizer “Não sou aleijada, doente, excepcional. Nasci assim, como todos os seres femininos vivos. Comigo não podia ser diferente. Como sou um templo de vida do Espírito Santo conforme nossa crença cristã, vim ao mundo com o lacre para a missão que a mim foi confiada. Eu faço parte da cadeia perpétua da vida. Antes de existir eu era o nada metafísico, agora existo, e todos os seres humanos em espírito jamais deixarão de existir. Aqui é a nossa passagem de um projeto Divino. E ninguém fugirá deste desígnio. Talvez Descartes jamais tenha ido alem de sua frase metafísica famosa sobre a existência humana “Cogito, ergo sum” ou “Penso, logo existo”, pela nossa crença acrescentaríamos, “então jamais deixarei de existir”.

 

A questão da chamada virgindade sempre foi tema de respeito, e uma margem de dignidade humana, desde o começo das gerações, consagradas pelas revelações bíblicas que permanecem até hoje como um valor transcendental. É tão forte, que a própria mãe do Salvador é chamada de Santíssima Virgem.

 

Esta cultura, que hoje ainda perdura, sempre foi para as jovens adolescentes por excelência um motivo de expectativa, curiosidade, temor, pela primeira oportunidade de se romper este lacre sagrado da vida. É muito importante fazer uma reflexão que, na oportunidade desse rompimento, sem maldade de comparação, seria como a lâmpada de Aladim, ou seja, a oportunidade do surgimento de uma nova vida. Isso leva a uma responsabilidade incomensurável; de outro lado, uma alegria indescritível de poder estar colaborando com o Criador no seu projeto, para nós insondável, incompreensível enquanto vivos.

 

A manifestação dessa oportunidade de vida pela mulher faz pelo lado biológico hormonal uma atração ao seu companheiro o homem, sem o qual a vida não pode continuar. A recíproca também é verdadeira. Essa “força” biológica da aproximação necessária para complementação da vida está fora da compreensão de nossa realidade física; ela é transcendental que vem de um Ser superior, para nós Deus. A beleza dessa força “desconhecida” a chamamos de amor. Ora, sem pretensões teológicas, Deus é o amor puro. Então existe “algo” alem de nossa simples realidade física.

 

Todos os jovens, masculinos ou femininos, nascem em termos de natureza biológica puros, enxutos, prontos para prosseguirem o projeto divino. Logo o compromisso pelo respeito aos seus corpos, pelas suas vidas, os obriga a se manterem castos e íntegros em dignidade para seu primeiro encontro. A saga humana honrou este momento com a bela celebração do casamento honrado (em todas as culturas), que vem dos tempos bíblicos e consagrado através dos preceitos do Evangelho do novo testamento. São momentos oportunos de uma existência, comemorados com a maior alegria e aprovação dos familiares de ambos os lados e de toda a sociedade. Agora começa uma nova família.

 

Infelizmente, estes pensamentos estão sendo entorpecidos por outros conceitos, deteriorando o belo e “gostoso” prazer físico, doado pela natureza, levado ao desgaste em si mesmo, sem qualquer finalidade ou responsabilidade com a vida. Há uma perda dessa percepção do significado do ato relacionado entre dois seres, homem/mulher, transformando-o em uma banalidade meramente físico-hormonal. O prazer apenas pelo prazer leva ao nojo e ao tédio existencial.

 

Recentemente, em uma entrevista ao jornal “Zero Hora”, a jovem Melissa Gurgel, que fazemos questão de mencioná-la, quando eleita Miss Brasil 2014, fez uma revelação surpreendente no alto de seus 20 anos para toda mídia: “eu sou virgem”. Para toda uma cultura devassa atual de sexo antes do casamento, com perguntas irônicas e sorrisos maledicentes, foi uma surpresa pela entrevista; mas, não para nós, este foi um gesto de profundo valor humano. Em sua continuação, disse que pretendia ser assim, até seu momento de subir ao altar para um casamento consagrado com um jovem de seus sonhos, de família honrada e gerar seus filhos. Afirmou que faz isso por um compromisso assumido desde seus doze anos; movimento que está começando a despertar em diversos países do mundo e que preza a abstinência sexual antes do casamento. E completou sua entrevista: “sou virgem sim, e daí... sinto-me perfeitamente bem assim”. Ela aderiu ao voto de castidade antes do casamento, um gesto de dignidade, bravura e grandeza.

 

”Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). (28/08/2015)

 


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