Crentes sem credo

O que é o protestantismo tupiniquim, e como isso surgiu

De onde veio isso aí?

Como já escrevi em outro texto, de cunho mais pessoal, o protestantismo nunca me tentou. Poderia ir além e dizer que os inúmeros protestantismos disponíveis no mercado brasileiro nunca me tentaram. Afinal, pelo menos à primeira vista, parece haver uma diferença enorme entre, por exemplo, a “Congregação cristã do Brasil” e a “Bola de neve church”.

Mas na verdade, ou ao menos no que realmente interessa, que é a Verdade com “V” maiúsculo, que é — como escrevi em ainda outro texto —  uma Pessoa, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a diferença entre as diversas denominações é perfeitamente ilusória. Elas são vários lados da mesma única coisa.

O que me colocou no caminho de escrever este texto é uma recorrência com que frequentemente me deparo: brasileiros inteligentes, que tiveram a desventura de nascer em famílias protestantes, começam a buscar a Verdade, que em geral identificam — devido a sua origem protestante — negativamente com o anticatolicismo, e dispõem-se a estudar a Doutrina católica para melhor refutá-la, vindo então a converter-se. Era previsível: quem busca sinceramente a Verdade há de encontrá-la na Igreja una, santa, católica e apostólica, que é sua coluna e fundamento. Mas quando finalmente estão munidos da doutrina católica eles olham para trás, talvez um pouco como a mulher de Lot, e tentam aplicar o conceito católico de Doutrina às inúmeras e proteicas manifestações do mesmo espírito de “non serviam” que compõem o protestantismo brasileiro. Inútil exercício; tenho algumas décadas de experiência de embates apologéticos com protestantes, e a coisa mais imediatamente evidente a quem quer que tente debater o credo com eles é que os “crentes” não creem em nada, nunca pensaram no assunto e acham isso tudo perfeitamente irrelevante.

No cenário religioso brasileiro, inclusive, é interessante que o termo “doutrina” seja muitas vezes percebido como ligado ao espiritismo, que certamente é muito mais doutrinal que o protestantismo, ainda que seja em muitos aspectos (inclusive, como veremos, na origem) semelhante a ele. O protestante não sabe em que acredita, e simplesmente não se interessa por isso. Apenas quando forçado ele se põe a examinar suas próprias crenças, mas sempre com a sensação incômoda de estar sendo obrigado a lançar luz sobre coisas que deveriam ser deixadas quietas. É comum que ex-protestantes lembrem de terem sido repreendidos por pastores ou familiares quando, ainda nas garras do erro, começaram a tentar fazer algum sentido racional daquilo em que pensavam acreditar. O protestantismo que encontramos no Brasil de hoje não é crença, mas estado de espírito, ou, antes, uma profusão de estados de espírito diversos, cada um voltado para um público-alvo determinado que se encaixe bem naquele, e não em outro. Não é a busca da verdade que leva João à “Assembleia de deus” e José à “Bola de neve church”: é o fato de que eles se reconhecem naquelas denominações, e por isso não se veem obrigados a se desfazer de absolutamente nada. Ao contrário, cada um deles vai se sentir reafirmado em tudo o que trouxe de casa, em toda a bagagem prévia que já carregava.

É o oposto de uma conversão. Converter-se significa, literalmente, “virar-se para a mesma direção de algo ou alguém”. A ideia é que estaríamos andando pelo deserto e encontraríamos alguém que sabe o caminho (ou que é o Caminho), virando-nos na mesma direção e passando a andar junto com Ele. Já o protestantismo brasileiro é o oposto: são espelhos que o freguês experimenta até encontrar aquele que nada exige dele, aquele em que ele se sente em casa, em que pode continuar na mesma direção. A “crença” não tem crença alguma, e a própria noção de um credo é tão irrelevante para o membro comum da denominação quanto a precisa espessura das bronzinas da biela do terceiro cilindro do motor do ônibus é irrelevante para um seu passageiro. Neste texto eu tento explicar como se chegou a esta situação, traçando a história deste fenômeno pseudo-religioso.

As confusas (não complexas: confusas) doutrinas da justificação que surgiram nos primeiros anos de vida do protestantismo, na verdade, serviram historicamente como trampolim para o abandono da própria noção de doutrina e o surgimento desse absurdo que é o “cristianismo” não-doutrinal. O cristianismo, afinal, é a religião doutrinal por antonomásia. Cremos que o mesmo Deus que tudo criou fez-Se homem e nos redimiu por Sua paixão ocorrida em um determinado momento da História e em um determinado lugar, e deixou-nos a Igreja para transmitir a Boa-Nova (em grego, “Evangelho”). Os primeiros séculos da Igreja transcorreram em árduas batalhas doutrinais pela fixação exata de um credo enormemente complexo, e detalhes aparentemente ínfimos para não-iniciados provocaram guerras e cismas. Até hoje perdura o Grande Cisma do Oriente, por exemplo, ocorrido há quase mil anos pela questão de se Deus Espírito Santo procede de Deus Pai e de Deus Filho — como ensinam os Papas — ou procede apenas de Deus Pai — como ensinam os patriarcas gregos e russos. O próprio vocabulário teológico (o que significa “procede”, por exemplo, no exemplo acima?) desenvolveu-se pela necessidade de precisão nas definições dogmáticas.

Quando Martinho Lutero resolveu negar-se a aceitar argumentos doutrinais que não viessem diretamente da Escritura, era apenas um truque sujo para facilitar a sua vida em um debate universitário movido por razões completamente diversas. O truque, no entanto, funcionou tremendamente bem para um objetivo que mesmo ele não havia inicialmente previsto, mas que depois veio a abraçar com gosto: a impugnação da autoridade religiosa, no mais das vezes em benefício da autoridade civil e/ou econômica. Só não funcionou, evidentemente, para que se pudesse tentar preservar alguma semelhança de cristianismo entre seus adeptos.

Ora, a autoridade religiosa é a razão de ser da Igreja. Nosso Senhor diferia dos demais rabinos por pregar com autoridade, e à Igreja Ele a transferiu para que continuasse Sua obra salvífica. A Igreja tem como missão ensinar, santificar e governar, e é a autoridade religiosa que possibilita e organiza estes esforços. Os modos como a Igreja ensina, santifica e governa são inúmeros, mas todos eles encaixam-se necessariamente dentro de um quadro de autoridade, até mesmo para impedir desvios doutrinais, demagogias, etc. A Igreja sempre buscou definir de maneira muito estrita primeiro a sua doutrina e, em função dela, quem faz parte da Igreja. Para fazer plenamente parte dela é necessário abraçar toda a sua doutrina, aceder aos meios de santificação que ela oferece (o batismo e demais sacramentos) e submeter-se ao governo eclesiástico. É assim que funciona o cristianismo, desde o primeiro momento, e tudo isso ocorre por intermédio desta autoridade religiosa.

Lutero inventou uma maneira de negar-se a obedecer a esta autoridade, sem contudo perceber a caixa de Pandora que abria. Para ele, a doutrina que recebera permanecia amplamente a mesma; salta aos olhos do leitor hodierno de seus escritos que sua crença era muito mais próxima à católica que à pouca doutrina que venham a confessar os protestantes de hoje. Mas ele tinha alguns problemas específicos na área teológica de como opera a justificação, ou santificação, do fiel; no caso, ele reagia com outro erro à forma errônea como vinha sendo pregada a doutrina das indulgências. Ora, esta parte — convenhamos, extremamente lateral quando comparada a temas mais centrais da doutrina cristã — estava ainda, de certa maneira, aberta ao debate. As definições magisteriais que fixaram a doutrina católica sobre a justificação foram feitas em Trento, décadas mais tarde, justamente como resposta aos erros de Lutero. Interessava-lhe, todavia, por razões outras, impugnar a autoridade eclesiástica. Para isso apelou para o truque sujo, que mencionei acima, de aceitar apenas argumentações diretamente baseadas no texto bíblico. O cânon bíblico, fixado às portas do Século V, contém apenas textos escritos no Século I, o que necessariamente faz com que o estágio de desenvolvimento da compreensão da doutrina cristã nele consignado fosse ainda muito rudimentar.

Não passava pela cabeça de Lutero negar, por exemplo, a cristologia ortodoxa definida ao longo dos sete primeiros concílios da Igreja; ela, contudo, não estava em jogo no seu debate, e por isso ele não a percebia ameaçada pelo seu truque, que visava apenas algumas manifestações mais tardiamente compreendidas da autoridade papal. Dado o sucesso do seu ataque à autoridade eclesiástica, contudo, ele se viu obrigado a seguir adiante por mais um passo no caminho a que seu truque o obrigara, e atacar também os sacramentos. Uma coisa está sempre ligada à outra — reza a Tradição que a túnica inconsútil de Nosso Senhor Jesus Cristo, sem emenda alguma, é figura da Sã Doutrina — e o exercício seguinte do luteranismo passou a ser o de tentar segurar a enxurrada de heresias e negações doutrinárias que se sucederam à revolta luterana, sem sucesso algum. Ainda em vida de Lutero, o mesmo truque de não aceitar argumentos que não tivessem trechos da Escritura como apoio foi empregado por outros contra artigos do credo que ele jamais quisera atacar, e mesmo contra invenções doutrinárias suas às quais ele se apegava. A caixa de Pandora estava aberta.

Mas o ponto central da revolta luterana fora a doutrina da justificação, e era esse o debate que lhe interessava e que se tornou sinônimo de “teologia reformada” nos primórdios do protestantismo. Pressupunha-se que todos seriam cristologicamente ortodoxos, por exemplo, mas cada “reformador” inventava uma teoria mais imaginosa que a do outro no tocante à questão que para Lutero havia parecido premente naquele momento. Cabe notar que poderia ter sido qualquer outra questão; é puro acaso histórico que o protestantismo tenha surgido em torno de uma controvérsia sobre especificamente a justificação, quando poderia ter sido qualquer outra questão teológica então em foco — juros, salários, guerra justa, mística judaica ou pagã, natureza humana, o que fosse; era, afinal, o Renascimento, hora em que muita coisa estava no ar, ainda que Lutero fosse um caipira ignorante na periferia mais distante do centro dos acontecimentos e ignorasse tudo acerca da maior parte dos assuntos então prementes.

O surgimento e crescimento inicial do protestantismo, destarte, foi um processo motivado muito mais por razões históricas que induziam a uma reformulação das formas de autoridade que por questões propriamente teológicas: o dinheiro havia ganhado enorme importância na sociedade europeia, levando a mudanças antes inimagináveis no próprio tecido social e causando um aumento brutal dos poderes dos governantes. A invenção da imprensa facilitara tremendamente a difusão de material escrito e possibilitara à burguesia ascendente possuir livros — entre eles a bíblia, fazendo com que o truque de Lutero tivesse consequências adversas para ele mesmo ao retirar do ambiente escolástico universitário o debate nos termos que ele mesmo propusera, dando a qualquer cidadão de classe média alta o direito de tornar-se também um heresiarca meramente gastando seu dinheiro numa cópia impressa da Escritura, sem precisar — como teria sido necessário em qualquer momento histórico anterior — passar alguns meses enfurnado em alguma biblioteca distante, munido de pergaminhos (couros tratados, usados então como suporte para a escrita), uma pena e tinta para copiar à mão a Escritura para uso próprio.

O protestantismo, assim, ganhou terreno independentemente da parte doutrinal de seu discurso. O que interessava, e o que fez com que ele se espalhasse em rápida metástase pela Cristandade, era que ele facultava aos governantes e financistas aumentar tremendamente o seu poder sobre a sociedade como um todo e retirava deles qualquer tipo de supervisão ética ou moral. Apenas séculos mais tarde tentou-se impor, pelo Direito Constitucional, o freio que então fora retirado.

Até o surgimento do protestantismo, a Fé cristã era em uma mesma Doutrina única e imutável, que incluía um forte aspecto moral. Esta lei divina estava acima de qualquer lei humana, e toda autoridade encontrava nela seus limites. Era possível até mesmo mover guerra ao Papa enquanto rei humano, mas ninguém — nem mesmo um mau Papa — ousaria contestar aquela Doutrina única, o que fazia com que houvesse uma unanimidade moral a impor fortes limites às ações das autoridades. O protestantismo, ao dar a cada príncipe ou rei a possibilidade de tornar-se chefe de sua própria “igreja”, ou simplesmente encontrar um “teólogo” manso para justificar suas ações, fez com que a autoridade moral de que a Igreja é investida fosse substituída pela autoridade baseada na força. Ao mesmo tempo, os bens das ordens religiosas, que o protestantismo inicial combateu por razões particulares de Lutero, podiam ser “eticamente” roubados pelos mesmos governantes, que assim literalmente lucravam fortunas ao aderir à “reforma”. A religião, nisso tudo, era o de menos.

Os dois ramos da revolta protestante que mais nos interessam neste afã de chegarmos à compreensão mais perfeita do que seja o protestantismo que encontramos pelas ruas desta nossa Terra da Santa Cruz são o calvinismo e o anglicanismo. Deixaremos de lado todos os outros neste texto.

O primeiro é a invenção doentia de João Calvino, um advogado suíço, que indo contra o cerne da Boa Nova cristã inventou um deus que odeia homens que criou. Teologicamente falando, foi ainda uma crença surgida dos debates sobre a justificação no protestantismo inicial. Calvino inventou um deus que determina antes mesmo do nascimento de cada pessoa se ela será salva ou condenado ao Inferno; nada que ela fizesse poderia modificar essa predestinação, e tudo o que ela poderia seria tentar identificar nela mesma alguns sinais de estar predestinada ao Céu (ou — desesperadoramente — ao Inferno). É esta a “ética protestante” que Weber explica estar na base da formação do capitalismo, na medida em que o suposto predestinado ao Céu, na malévola doutrina do advogado suíço, é identificado justamente pelas virtudes burguesas, com a cobiça orientando uma vida ascética e dominada pelo trabalho. O “predestinado” usa roupas sóbrias, não gasta o que ganha, trabalha da madrugada à noite, não dança, não ouve música, etc. É o próprio Tio Patinhas.

O calvinismo suíço, curiosamente, atravessou muito bem a Mancha, instalando-se com gosto nas terras baixas da Escócia e em vastas partes da Inglaterra em sua roupagem dita “puritana”. O puritanismo é uma estranha religião, em que é impossível alcançar a salvação, mas é necessário comprovar que ela já foi alcançada (sem que o “salvo” possa dar pitaco acerca da questão) antes mesmo de seu nascimento. Onde ele tenha se tornado religião majoritária os mesmos fenômenos ocorreram:

  • Uma forte mistura entre religião e política, compreendida como uma forma de civismo colaborativo em que todos se esmeram em anular a própria personalidade e participar das virtudes coletivas que indicam que aquela é uma comunidade de salvos. É comum que o mesmo galpão seja usado para cultos religiosos e para reuniões cívicas, no que pode ser interpretado tanto como uma deificação do imanente quanto como uma imanentização do escatológico;
  • Uma total ausência de misericórdia social e pessoal para com os menos favorecidos (ou meramente diferentes), que “evidentemente” são réprobos destinados ao Inferno e devem ser afastados da comunidade, não acolhidos, saciados, alimentados, vestidos, etc.;
  • Um fortíssimo policiamento comunitário do comportamento alheio, impedindo qualquer violação da ordem sócio-religiosa. É necessário lembrar que um corolário da doutrina da dupla predestinação é a inexistência de uma hierarquia de pecados e virtudes, o que faz com que em tese seja a mesma coisa assoviar um sambinha em dia de domingo ou torturar e matar criancinhas. Assim, é comum que, por exemplo, sejam criados meios de impedir fisicamente as crianças de brincar aos domingos, como acorrentar os brinquedos dos parques;
  • Uma igualmente fortíssima introjeção desta disciplina, fazendo com que o autoexame em busca de sinais de uma predestinação ao Inferno — por exemplo, o desamor ao trabalho duro e repetitivo, o gosto por música, a preferência por alimentação saborosa, etc. — seja uma preocupação constante e mesmo doentia; afinal, se se for mesmo predestinado à danação eterna nada há que se possa fazer que não desesperar-se;
  • Finalmente, e mais importante para o que estou querendo apontar, o abandono de praticamente todo pensamento teológico, tornado absolutamente irrelevante pela doutrina da dupla predestinação. Não adianta aprender uma doutrina quando já se é salvo ou condenado antes mesmo de nascer: só o que adianta é aprender os sinais (imanentes) que identificam o salvo. A Boa Nova, na prática, é irrelevante, assim como não faz sentido algum que haja uma Igreja docente, muito menos santificante, que dirá governante. O pensamento teológico, assim, tende a ser substituído por “sermões” comportamentais ou “reflexões” sobre a salvação e a perdição.

O luteranismo, que seguiu caminho muito distante, manteve a organização eclesial católica em uma religião doutrinal e confessional, etc., mas no Brasil ele existe apenas como curiosidade etnológica em alguns lugares de forte imigração alemã e não interessa muito para o tema de que ora trato, mesmo porque a influência das formas mais tardias de protestantismo e mesmo do próprio catolicismo acaba sendo forte o bastante para fazer dele mera sobra confusa do original alemão.

A outra fonte histórica de que bebem longínqua e indiretamente as miríades de denominações brasileiras é, como disse acima, o anglicanismo. Em termos doutrinários, o anglicanismo é uma piada: trata-se, na verdade, de uma apropriação indébita da estrutura e da autoridade religiosa da Igreja pela autoridade civil inglesa, que para conseguir preservar o poder de mando que obteve pela criação de um cisma acabou abandonando qualquer pretensão doutrinária. O rei da Inglaterra, Henrique VIII, declarou-se “reformador” apenas para apropriar-se dos bens e da autoridade da Igreja em seu território. A questão da justificação, então na moda, bem como qualquer outra questão doutrinal que não o primado de Pedro, foi solenemente ignorada na gênese da Comunhão anglicana por sobre os escombros da Igreja Católica na Inglaterra, e mesmo os termos da profissão de fé original da Comunhão Anglicana, teoricamente um documento doutrinal, jamais foram efetivamente obrigatórios. Diz a piada que as batinas dos “padres” anglicanos têm tantos botões quanto os pontos do seu credo, mas como eles podem deixar abertos aqueles com que não concordam muitos nem mesmo as fecham.

Ao longo da História, algumas vezes grupos com algum interesse doutrinal, político ou misto tomaram o poder na Comunhão anglicana, fazendo verdadeiras e literais caças às bruxas (vale fazer um excurso para lembrar que a caça às bruxas foi um fenômeno essencialmente protestante) e aos “hereges”, mas em geral pode-se dizer que o credo anglicano é a ausência de credo. Convivem na mesma organização “eclesial” pessoas cuja diferença da Fé católica limita-se à necessidade de obediência ao Papa, puritanos que não acreditam nem mesmo na possibilidade de santificação, deístas que não aceitam a Encarnação do Verbo ou mesmo a Trindade, etc. É um saco de gatos que aceita abrigar em seu interior todo tipo de pensamento, com o fim único de preservar a autoridade do Rei da Inglaterra sobre a religião em seu reino. Com o crescimento do Império Britânico, o anglicanismo passou para as Américas e, mais tarde, para as colônias inglesas alhures. Hoje a Comunhão anglicana se encontra dividida entre ramos pós-modernos ingleses e norte-americanos, que seguem acirradamente as modas do século, e ramos mais “tradicionais” africanos, que se atém àquilo que aprenderam quando os anglicanos seguiam as modas do século passado ou retrasado.

Quando os EUA eram colônia inglesa, seus territórios serviram de refúgio para os grupos minoritários perseguidos dentro de uma das “caças aos hereges” que ocorreram nos períodos de dominação de um subgrupo do anglicanismo. Assim, por exemplo, o Nordeste americano foi colonizado por puritanos fugindo da perseguição episcopaliana (episcopalianos são anglicanos que acreditam na necessidade de clero ordenado e bispos), e o Sul por episcopalianos fugindo da perseguição puritana. Desnecessário dizer que um puritano não duraria muito no Sul e um episcopaliano não seria nada bem-vindo no Nordeste. Entre um e outro estava um território “neutro” estabelecido pela seita (radicalmente anti-doutrinal) dos “quakers”, concebido para servir de refúgio para toda e qualquer denominação minoritária.

É dos EUA que vêm praticamente todas as seitas que hoje infestam o Brasil. Por sua vez, elas são fruto de estranhos acontecimentos (em minha opinião de origem evidentemente preternatural) que ocorreram naquelas terras, que ganharam o nome de “despertamentos”, ocorridos em reação previsível ao pessimismo teológico puritano. Como vimos acima, o puritanismo ao mesmo tempo retira do fiel qualquer protagonismo ou mesmo possibilidade de colaboração na própria salvação e o obriga a trabalhar sem cessar em sociedade e em particular, fazendo do “progresso” individual e social sinais de uma suposta predestinação à salvação dos membros daquele grupo.

Ora, dois efeitos colaterais de tamanho delírio são mais que previsíveis: o primeiro é o esquecimento progressivo da extremamente indireta e tênue conexão entre a ação mundana e a salvação, levando a fazer daquela um fim nela mesma e esquecendo o Céu. Note-se, inclusive, que isso não faria diferença alguma para a “salvação” do fiel, que seria assegurada ou impossível independentemente da atenção que a ela ele prestasse ou deixasse de prestar. O segundo é o terror constante da predestinação à perdição que paira como uma nuvem negra sobre qualquer pessoa que leve a sério semelhante doutrina.

O primeiro efeito colateral levou ao surgimento de uma relativamente vasta população de pessoas “unchurched” — literalmente “não-igrejadas”: alguém que não pertencesse ao coletivo sócio-religioso de uma denominação protestante, sendo de todo irrelevante se se tratava ou não de alguém com algum tipo de fé ou prática religiosa particular individual. Tratava-se de um fenômeno preocupante por razões sociais, na medida em que nas duas formas predominantes de protestantismo a autoridade cívica confundia-se com a religiosa, bem como a ética (inclusive em seus componentes penais especiais) com a moral religiosa. O segundo efeito colateral levou ao surgimento, ao longo da História americana, de inúmeras reações ao puritanismo, gerando sistemas de crenças e ações que sempre acabam por vir atrapalhar a vida das pessoas honestas cá ao Sul, do espiritismo ao pentecostalismo, passando pela autoajuda e por outros sistemas problemáticos de negação da realidade. Os “despertamentos” foram as ocasiões do surgimento ou do crescimento da maior parte destas reações, que passaremos a examinar agora.

O primeiro deles, ocorrido entre 1730 e 1750, consistiu da substituição do terror psicológico puritano por um apelo ao entusiasmo religioso: ao invés de temer ser predestinado ao Inferno, o fiel deveria excitar-se com a notícia da Salvação e abraçá-la como experiência pessoal de “entusiasmo”. Na verdade, é o próximo passo do mergulho no subjetivismo já mais que começado pelo protestantismo: a doutrina, que já era praticamente inexistente (com a exceção, no puritanismo, da premente questão da predestinação e seus corolários), era abandonada de todo. Não interessa se o deus que se prega é três pessoas em uma só substância ou quinze pessoas em dezenove substâncias: o que importa é que ele mora dentro de cada um e é lá que deve ser descoberto.

Harold Bloom, em seu livro The American Religion (em espanhol), aponta nesta peculiar heresia, tornada popular no primeiro “despertamento”, o cerne da especificidade religiosa americana: o deus americano está dentro de cada um, e cada fiel é, portanto, de uma certa forma eterno e incriado. “Entusiasmo”, literalmente, significa “ter um deus dentro de si”, e é esta — como nos lembra D. Ronald Knox em seu estudo do mesmo nome de tais fenômenos — a tentação que oferecem tais heresias.

Vale notar o interessante papel cultural da bíblia nesse fenômeno, inclusive: como vimos, a adoção da bíblia como única fonte de conhecimento da Revelação por Lutero foi apenas um truque para permitir-lhe atacar a autoridade religiosa do Papado. O efeito primeiro de tal restrição impossível foi, evidentemente, o fechamento total à Doutrina revelada: cada grupelho passou a ter um ponto “doutrinal” único (na verdade mais um ponto comportamental, ou “pastoral”, que propriamente doutrinal: é o caso da dupla predestinação, do batismo apenas de adultos, etc.; a doutrina vem a posteriori, como justificativa “bíblica” do comportamento adotado como regra pela denominação), que definia a sua identidade, e todo o resto consistia de práticas comunais e subjetivismo. O protestantismo nunca foi, por impossibilidade absoluta de sê-lo, doutrinal. A bíblia não funciona quando se a tenta usar como fonte única de Revelação pela simples razão de não ter sido feita para isso, e a restrição a qualquer outro meio de acesso a uma revelação impede a adoção de outros elementos ao seu lado. Cabe notar, contudo, que isso sempre acabe sendo feito quando as instituições “eclesiais” são fortes: é o caso do adventismo do sétimo dia, com os escritos de Ellen G. White, do mormonismo e sua “revelação” extra, etc. O que passa por debate doutrinal entre os diversos grupos, até os dias de hoje, é no máximo o requentamento das confusas respostas criativas com que cada “reformador” do Século XVI respondeu ao erro luterano sobre como se opera a justificação.

A bíblia, assim, acabou por ganhar um papel bastante diverso do que a teoria do protestantismo lhe dá: ela não funciona para eles como uma Revelação pronta, sim, ao contrário, como uma fonte quase inesgotável de sortes virgilianas com que se justifica toda e qualquer noção e desejo subjetivista que se venha a ter. É por isso que as permanentes subdivisões e cismas que não cessam por um minuto de ocorrer no protestantismo têm uma dinâmica oposta à que move os cismas da Cristandade. Enquanto os cismas da Igreja sempre ocorreram pela recusa de alguns Bispos ou patriarcas de aceitar alguma definição doutrinal (conciliar ou papal) que eles percebiam como uma novidade a afastar-se da Tradição revelada, as subdivisões do protestantismo ocorrem como reações contra um “jeito de ser ‘igreja’”, normalmente procurando deliberadamente fazer o oposto do que seus antecessores faziam. Para justificar a posteriori as reviravoltas, justamente, é que serve a bíblia.

Assim, a história é sempre a mesma: uma pessoa mais independente revolta-se com o que ela percebe como um erro pastoral da comunidade a que pertence, ou mesmo com a dificuldade de escolha entre tantas aparentes opções no bufê religioso que é o protestantismo, e toma um caminho assumidamente novo. Para tal, ela escolhe alguns versículos tirados de contexto, fazendo deles um uso extremamente semelhante ao que as outras denominações fizeram de outros versículos, como apoio daquele um ponto “doutrinal” que seus fundadores creram ter “descoberto”.

O primeiro “despertamento”, assim, foi a ocasião da invenção do “deus dentro de si”, passando para o indivíduo a confusão entre a imanentização do escatológico e a divinização do imanente que já ocorria na vida sócio-religiosa puritana e assim se livrando “de uma vez por todas” do terror da predestinação à perdição. O Inferno ainda estava muito presente, mas agora ele era algo para os outros, para os que não abraçassem aquele entusiasmo. Quem chorasse seus pecados já estaria livre do Inferno, e a emoção passou a ser a pedra de toque de uma salvação em que se perdia de vista a diferença entre Céu e terra. Bloom aponta, certeiramente, que a nova religião se percebe perpetuamente entre a Ressurreição e a Ascensão, momento “mágico” em que se tem a presença de Deus na terra sem que se tenha doutrina ou igreja, numa releitura mítica atemporal dos eventos fundadores do cristianismo.

As pequenas comunidades batistas — até então localizadas principalmente no território “neutro” entre o Nordeste puritano e o Sul episcopaliano –, bem como as metodistas, ganharam muitos fiéis quando aderiram à nova febre, que por ser fundamentalmente uma reação contra o puritanismo não contradizia em nada suas práticas anteriores. Data de então a penetração de comunidades batistas no Sul americano, que ganhará mais força no “despertamento” seguinte, quando se eliminou a condenação batista à escravidão. Já as puritanas, ao Nordeste, atacadas em seu cerne, sofreram enormemente.

O segundo “despertamento” (1790–1840) ocorreu já principalmente no território “neutro”, sendo iniciado pela pregação (adoutrinal e entusiástica) de batistas e metodistas, com um foco especialmente forte na região que se passou a chamar de “distrito queimado”, no leste de NY, em que toda a população aderiu às práticas entusiásticas da nova religião. Tenho cá por mim que tenha sido uma das maiores infestações demoníacas da História registrada da humanidade, comparável apenas a alguns episódios demoniolátricos do paganismo, como a religião asteca e seus sacrifícios humanos em escala industrial.

Do “distrito queimado” surgiram as novas religiões mais delirantes, no mais das vezes também surgidas como novas reações ao puritanismo, e adotando em graus e modos diversos os aspectos mais absolutamente novos da religião fundada no primeiro “despertamento”. É lá que têm sua origem o mormonismo, que como escrevi em outro artigo é a religião natural americana por antonomásia; os irmãos gêmeos (porém não univitelinos) adventismo e testemunhas de jeová; o espiritismo necromântico que depois atravessou o Atlântico para a Europa e de lá, em sua forma kardecista, nos assombra até hoje; a forma moderna da confissão batista, que nega abertamente até mesmo a possibilidade de uma doutrina, substituída pela relação sumamente pessoal e subjetiva entre o “fiel” (as aspas são porque é um tanto ou quanto difícil, para não dizer impossível, ser “fiel” a nenhuma fé) e seu deus; vários movimentos utópicos antecessores dos hippies, naturistas, e demais pregadores de paraísos terrenos; os movimentos antiálcool que depois vieram a dar na Lei Seca e na Guerra às Drogas; etc.

Finalmente, a partir de 1850 e durando até as primeiras décadas do século passado, o terceiro “despertamento” libertou heresias ainda mais perigosas e mais afastadas de qualquer compreensão cristã da realidade, crescendo em cima do sucesso dos dois primeiros. Cabe lembrar que não se trata apenas de fenômenos relacionados, sim de um só fenômeno que a cada duas ou três gerações retornava com mais força, afastando-se mais ainda do cristianismo.

A substituição da religião doutrinal e sacramental cristã por uma imanentização do escatológico e/ou divinização do imanente, operada no calvinismo (inclusive em sua vertente puritana), como vimos, deu um passo adiante ao trazer para cada indivíduo esta estranha dinâmica, fazendo do homem um deus e do deus uma emoção humana (o “deus dentro de si”, que é o entusiasmo). Esta emoção, contudo, precisava ser “avivada”, como um fogo que se sopra, e são esses esforços de “avivamento” e seus frutos sulfurosos que constituíram os “despertamentos”. Cada um pior que o anterior.

Do terceiro surgiu a Ciência Cristã, que posteriormente, na forma dos americaníssimos sistemas de autoajuda, abandonou a pretensão religiosa. Basicamente, trata-se da tese de que o “pensamento positivo” tudo conquista, “atrai” saúde e riquezas, etc. Mais tarde o pastor metodista Norman V. Peale retirou-lhe o contexto pseudo-religioso original com seu best-seller “O Poder do Pensamento Positivo”, de que surgiram os atuais “O Segredo” e demais pregações da mesma horrenda heresia. Cheguei a ver, para meu horror, por ocasião do Natal, um comentarista afirmando que a Sagrada Família conseguiu atrair o próprio Deus para o ventre da Santíssima Virgem pela força do pensamento positivo(!).

Surgiu também ali o movimento pentecostal, origem direta da imensa maior parte das denominações protestantes que assolam nosso país. Tal como as demais heresias surgidas nos tais “despertamentos”, é algo que cresce sobre os erros anteriores, tendo já deixado para trás qualquer semelhança com o cristianismo. Aquele “entusiasmo”, aquele acesso a um deus que estaria dentro de cada um, no pentecostalismo é percebido como pretensamente semelhante a Pentecostes, quando o Espírito Santo deu unidade doutrinal e corpórea à Igreja, como descrevemos em outro artigo. É, mais uma vez, o oposto diametral da realidade que diabolicamente tenta se fazer passar por ela. Pentecostes é, por definição, a ocasião da unidade e da objetividade, o momento em que a Igreja se torna completa e una, em que a Doutrina única e eterna passa a ser perfeitamente entendida e universalmente pregada. Já o “pentecostalismo” é a fragmentação mais absoluta, em que cada pessoa receberia, por conta própria, supostas mensagens divinas que a tornariam portadora de uma revelação divina independente de qualquer instituição. Não é de se estranhar que o espiritismo e o pentecostalismo, na verdade duas facetas do mesmo fenômeno, tenham surgido na mesma região, por ocasião dos tais “despertamentos” do Andar de Baixo.

Aqui no Brasil, havia desde o início do século passado alguma ação “missionária” por parte de batistas e pentecostais (mormente da “assembleia de deus”), além da presença, já mencionada, do luteranismo importado com os imigrantes alemães. Durante os governos militares (1964–1989), todavia, como mencionei em outro artigo, houve uma política de Estado de importação de pregadores pentecostais americanos como maneira de tentar diminuir a influência da Teologia da Libertação.

A sua recepção no Brasil inicialmente foi — dada a nossa cultura católica — como a que se daria a pregadores leigos, de que temos longa tradição, coisa que paradoxalmente o subjetivismo doutrinário da Teologia da Libertação ajudou enormemente ao não anatemizar as heresias recém-chegadas. Assim, de início, quem aderia às seitas protestantes o fazia à maneira dos penitentes tradicionais, deixando de beber ou fumar, passando a andar sempre trajado de maneira característica (saião e cabelão para as mulheres, terno e gravata para os homens), etc. “Virar crente” era outra maneira de pagar promessa.

Com o crescimento das seitas, começaram contudo a surgir as releituras culturalmente brasileiras do mesmo fenômeno de origem — que poderíamos definir como uma forma de culto desprovido totalmente de doutrina, subjetivista ao extremo, que mantém como pressuposto irrefletido a noção de um “deus” interior a que se acederia pela emoção, que tem como objeto de culto supersticioso a bíblia (sempre lida e relida em busca de mensagens secretas, sortes, revelações particulares, etc.), forte tendência à homogeneização de comportamento por parte dos membros (que aderem à denominação cujo comportamento típico já lhes seja agradável de antemão, claro), dificuldade de separar o cívico-político do “religioso” (sempre imanentizando o escatológico e divinizando o imanente), etc.

É, em suma, um fenômeno antes social que religioso, e antes norte-americano que cristão. Seus membros, em virtude da validade geral do batismo que ministram e recebem, são sacramentalmente cristãos, mas doutrinalmente são qualquer coisa, menos dignos deste nome.

As versões brasileiras das seitas importadas em geral escoram-se nas práticas do baixo espiritismo e da umbanda, que estão muito mais próximos do protestantismo americano que a Igreja ou o luteranismo das colônias alemãs. É assim que a Universal, por exemplo, reconhece todo o panteão da umbanda, dos “encostos” aos orixás, fazendo-se contudo possuidora do acesso secreto à super-divindade “jesus” — na verdade o mesmíssimo “deus interno” dos entusiasmos “revivalistas” dos “despertamentos” — que assegura a quem lhe pague com “trabalhos”, ops, “dízimo” e “ofertas” monetárias as mesmas riquezas e curas que o “pensamento positivo” de Peale ou seu pai, a “ciência cristã” de Mary Baker Eddy.

As demais denominações legitimamente tupiniquins contam vários cismas da Universal — que na verdade são antes cópias concorrentes que cismas no sentido “tradicionalista” clássico no cristianismo real ou, menos ainda, invenções reacionárias novidadosas no modelo protestante americano — e imitações atenuadas destas, em portinhas de garagem por toda parte, ou das descendentes americanas atuais de Peale e quetais, as “megaigrejas” adoutrinais baseadas no “pensamento positivo”.

Retornando, finalmente, ao início deste longo texto, aponto assim que quem busca a Verdade virá necessariamente ter à Igreja. Quem a busque perfunctoriamente, sem nisso colocar seu coração, pode dar por encerrada sua busca em alguma seita espírita que lhe apresente uma falsa doutrina para embrulhar a bala envenenada da (normalmente falsa) necromancia. Ninguém que busque a Verdade, todavia, irá jamais parar no protestantismo, mormente no brasileiro, e atacá-lo a partir da Verdade é atacá-lo a partir de algo que nem mesmo registra em seu radar. O protestantismo “não mexe com essas coisas”; ele não tem nem pretende ter a Verdade ou mesmo acesso a ela; ele é uma série de práticas, visando despertar emoções pela oralidade (“oração”, “oratória”, cantoria, etc.), com uma visão de mundo completamente subjetivista que nega liminarmente até mesmo a possibilidade de haver Verdade.

Que ninguém se iluda com os termos “fé” ou “crença” (“crente” deveria ser quem tem uma crença), ou mesmo com os emocionados e emocionais apelos à “palavra de deus”: nada disso tem como objeto a Verdade, e tudo isso serve apenas como versão ainda mais frágil e transparente da “doutrina” com que o espiritismo procura justificar e explicar suas práticas necromânticas.

Se, por um milagre, a população brasileira se tornasse instantaneamente santa, as seitas protestantes poderiam perfeitamente exercer dentro da Igreja o papel que antes exerciam as irmandades leigas. O que aquelas fazem, aliás, cultural e sociologicamente, é o mesmo que faziam estas, sendo porém mais que contrabalançado o seu parco efeito benéfico pelo fato de elas afastarem seus membros dos Sacramentos e pregarem heresias e desobediência. Mas não é preciso crer ou deixar de crer em nada para ser “crente”, e em tese seria possível, sim, unir as práticas requebrantes e oralizantes das seitas à prática sacramental e à crença na Sã Doutrina. É o que tentam fazer os carismáticos, aliás. Seria ótimo se as pessoas se reunissem às quartas à noite para cantar louvores a Deus com os amigos, e que os membros de cada uma dessas irmandades se ajudassem mutuamente, diminuindo a tentação das lojas maçônicas, se a isso se unisse a busca pela santidade que só pode ocorrer na Igreja verdadeira.

Só o que não se pode crer é que as seitas “crentes” sejam religiões cristãs. Elas são simplesmente, como espero ter comprovado neste texto, outra coisa.

Carlos Ramalhete

Fonte: Medium


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