PERGUNTE E RESPONDEREMOS 380 – janeiro 1994

 

O ESPLENDOR DA VERDADE

 

Chama a atenção o fato de que o S. Padre, querendo escrever sobre a Ética cristã, tenha tomado, como palavras iniciais da sua encíclica, a expressão "O Esplendor da Verdade".

 

... Da Verdade. Esta é colocada como alicerce da toda a vida moral; tem as características da universalidade e da imutalibidade. O homem não a cria, mas a descobre já presente. O contrário da verdade é a mentira; esta traz as notas do subjetivismo e da improvisação; é a criatura que a produz.

O Evangelho nos diz que a mentira é obra do demônio; ele é o pai da mentira e, mediante a mentira, tomou-se o primeiro homicida (cf. Jo 8,44). A mentira leva à morte.

 

Por isto o comportamento do homem não pode estar fundamentado sobre a falsidade, a arbitrariedade e o subjetivismo; estes elementos não constroem uma vida bela. Ao contrário, a conduta moral do homem há de estar baseada na verdade, penhor de vida; torna-se assim mais exigente, mas é precisamente a fidelidade à verdade que lhe dá beleza e esplendor. Os antigos gregos pagãos tinham tanta convicção disto que, para eles, o bem era belo e o belo era um bem; kalós kai agathós (belo e bom) era o binômio usual da linguagem grega. ([1])

 

O Papa lembra estas proposições no intuito de dissipar as teorias modernas que tendem a tirar da Moral o seu valor perene e universal para fazê-la subjetiva e mutável, de acordo com as conveniências pessoais dos interessados.

 

Mais: fazendo eco a S. Agostinho, que experimentou o gaudium de veritate, a alegria decorrente da descoberta da verdade, o Papa fala da necessidade, para os cristãos, de amar a verdade, a ponto de dar a vida por ela, se necessário; ... dar a vida, nem sempre de maneira violenta, mas na fidelidade heróica, que se renova todos os dias diante de novos e novos desafios. "Diante das múltiplas dificuldades que, mesmo nas circunstâncias mais comuns, pode exigir a fidelidade à ordem moral, o cristão é chamado... a um compromisso por vezes heróico, amparado pela virtude da fortaleza" (n993). O horror à traição, o amor à lealdade coerente até o extremo são valores que já os sábios pré-cristãos elogiavam enfaticamente, como se depreende do testemunho do poeta latino Juvenal: "Considera o maior dos crimes preferir a sobrevivência à honra e, por amor da vida física, perder as razões de viver" (Satirae VIII, 83s).

 

O mundo precisa da verdade e da beleza que ela reflete. A procura de bens materiais na base da mentira e do pecado só lhe tem trazido infelicidade e náusea. Ora ao cristão toca, por excelência, o dever de dar tal testemunho de uma vida bela,... bela porque orientada pelo esplendor da verdade!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] É por isto que no Evangelho diz o Senhor Jesus: "Eu sou o pastor, o be­lo (ho poimèn ho kalós)" (Jo 10,11).


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