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Pregações: Homilias - Correção fraterna e comunhão dos membros da Igreja - por Padre Paulo Ricardo

Correção fraterna e comunhão dos membros da Igreja

Jesus, que prega o perdão ilimitado (setenta vezes sete), também nos ensina a afastar os que não querem ser perdoados. A Igreja, como mãe que educa seus filhos, deve saber aplicar o remédio amargo da excomunhão que é capaz de restaurar a saúde do organismo eclesial.

A Igreja neste domingo proclama o evangelho de S. Mateus, cap. 18. O evangelho de S. Mateus é dividido em cinco grandes discursos e o deste domingo é o discurso eclesiástico, ou seja, da igreja, onde Jesus dá normas concretas sobre como vivermos como irmãos.
Como devemos tratar nosso irmão para corrigi-lo?
Buscá-lo e tratá-lo de forma íntima.
Depois com duas ou três testemunhas.
E depois toda a igreja, se necessário.
Finalmente, se nem a igreja ele ouvir, que seja tratado como um pagão, alguém que não faz mais parte do povo de Deus.
Esse é o fundamento da Igreja na prática chamada 'excomunhão'.
Não é portanto por falta de amor que existe a excomunhão. E como conciliar o amor que perdoa 70x7 e expulsar alguém da igreja, tratando-o como pagão, um pecador público?

Na carta aos Corintos, cap. 5, S. Paulo fala da excomunhão de um incestuoso, mostrando que o mecanismo da excomunhão já estava presente na prática da igreja primitiva.
S. Paulo repreende toda a comunidade de Corinto! Ele fica indignado vendo que a comunidade de Corinto ainda não expulsara o incestuoso.
S. Paulo coloca o dedo na ferida ao dizer "vós, tão orgulhosos, nem sequer vos entristeceis".
Nós estamos substituindo a ética pela estética, mais preocupados com a nossa própria imagem do que com o bem de nosso irmão.
Por isso hoje é tão difícil educar os filhos... porque quando os pais que eram os ídolos, se apresentam como sendo a lei, aí se quebra uma imagem, a de papai e mamãe cúmplices eternamente, tão bonzinhos, e o filho vira como que pequeno ditador, déspota, um pequeno rei. Tudo isso se dá por causa da vaidade, do orgulho da auto-imagem. Por isso muitos pais deixam o filho fazer tudo... e assim o filho se perde.
É caridade corrigir seu próprio filho e permitir que ele tenha 'raiva' dos pais. É preocupação com o futuro do filho que leva os pais a impor limites.

O que nos deve conduzir na correção de nossos irmãos é o amor fraterno, para que ele não se perca.
Mas, não tenhamos medo que, para o bem da própria pessoa, ela deva ser excluída a comunidade. S. Paulo não hesitou: 'entregai esse indivíduo para mortifcar a sua carne, para que seu espírito se salve no dia do retorno do Senhor'.
A preocupação de Paulo não era apenas com o irmão, mas com toda a comunidade. E isso precisamos entender na Igreja hoje.

O evangelho não fala apenas sobre a correção fraterna, mas sobretudo sobre a comunhão que deve haver entre os membros da Igreja, membros do Corpo de Cristo na mesma carta aos Corintos.
Um membro doente não pode por a perder todo o corpo.
A excomunhão é necessária para que fique bem claro para os membros da comunidade que determinado sujeito é um mau cristão. Não porque ele pecou, pois todos pecam, mas porque ele adotou o pecado como realidade de vida.
É preciso mostrar que atos têm consequência e não se pode viver como pequenos deuses, tiranos inconsequentes.

S. Paulo também diz para 'não vos mistureis com gente imoral'... 'não me referi em geral a uma gente deste mundo, as avaros, exploradores, idólatras etc .... mas com o irmão que é imoral, avaro, explorador, idólatra.... expulsai o malvado de vosso meio'.
A sabedoria de S. Paulo é compreender que os maus irmãos escandalizam e de alguma forma levam os demais ao equívoco de achar que tudo é permitido. Por isso é necessário excluí-los.
E quem tem autoridade para fazer isso?
A Igreja, pois Jesus diz: 'dize-o à Igreja inteira'. Esta define quem é herege e quem não é. Vários concílios da Igreja trataram desse assunto e determinaram critérios para saber quem é e quem não é herege.
Por isso, os pregadores, padres, bispos precisam dizer com toda clareza aos fiéis quando um comportamento, uma doutrina, uma atitude, está tirando a pessoa da comunhão com a Igreja.

Uma pessoa excomungada não significa criar uma não comunhão, mas é uma declaração que essa pessoa já não está mais em comunhão há tempos por causa de sua atitude.
Quando a pessoa já não quer mais a comunhão de amor, mas quer destruir, quer matar, roubar como diz o evangelho, não há outra saída.

No evangelho deste domingo NSJC não quer impor um limite ao perdão, mas este só pode ser exercido quando o irmão se arrepende. Se este não quer ter fé, se fecha e insiste na heresia, na imoralidade, na apostasia, faz parte do amor da Igreja dizer-lhe: 'irmão, você está tão longe de Deus, que pena, volte para casa!'. Isto é um decreto de excomunhão, que diz: tu estás longe de Deus, volta para o Pai.

Nossa Senhora disse aos três pastorinhos em Fátima que eles deveriam se sacrificar pelos pecadores, para que os irmãos afastados e perdidos se salvem. Ainda disse Nossa Senhora: 'quantos almas se perdem no inferno por não haver ninguém que reze por elas!'.
Nós, que estamos na comunhão da Igreja, oremos pelos que estão afastados do Corpo de Cristo e possam ser salvos.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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