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Artigo

Pregações: Igreja - Concílio Vaticano II e Liberdade Religiosa - por Padre Paulo Ricardo

Concílio Vaticano II e Liberdade Religiosa

Como é possível educar os filhos para serem católicos se o Concílio Vaticano II prega a liberdade religiosa?

Primeiro devemos entender o que significa o direito à liberdade religiosa e que ele não se aplica em qualquer âmbito ou sem limites.
Trata-se de o estado tirar as mãos de cima da religião, que o estado não possa proibir de ensinar a fé católica, não impor uma religião (ou a não-religião) às pessoas, mesmo quando num país há uma religião oficial.
A Igreja admite que um país tenha uma religião oficial, não seja necessariamente um país sem religião. Mas é preciso compreender que o estado não pode obrigar as pessoas a essa religião. Esse é o significado da liberdade religiosa.
Além disso, não significa que não haja limites. Por exemplo, se um grupo de satanistas quer sacrificar crianças, o estado deve intervir sim, para impedir isso. A religião não pode é causar desordem social, infringindo a lei natural das coisas.

No catecismo da Igreja essa questão é resumida. Há duas realidades que precisam ser avaliadas: de um lado o direito à religião e de outro o direito de ensinar/buscar a verdade.
Como evangelizar? É exatamente a liberdade religiosa que permite a missionaridade.
Não estamos mais na idade média; segundo pesquisa 70% da população mundial vive em países onde a liberdade religiosa não é garantida e, de cada 100 vítimas de perseguição religiosa, 75 são cristãs. Ou seja, 75% das pessoas perseguidas por falta de liberdade religiosa são cristãs.

Muitas vezes os tradicionalistas afirmam que a Igreja mudou de opinião, que agora o Concílio vaticano II defende outra doutrina. Essa acusação não é verdadeira.
Na história da Igreja, houve papas a favor e outros contra a liberdade religiosa, por exemplo. O que está em debate não é a doutrina, mas sua aplicação. Ela é mesma e inquestionável: o erro não tem o direito de existir, somente a Verdade tem direito de existir e portanto todos os seres humanos têm o dever de buscar a verdade. Isto é uma doutrina. Porém, no mundo real, o erro não existe de forma abstrata, mas existem pessoas que erram. Uma coisa é o pecado, outra o pecador. Houve papas que favoreceram da violência para impor religião e houve papas que foram contra a violência para impor religião. Os princípios morais não diferem, mas sua aplicação no tempo e na história, sim.
Ou seja, os papas ao longo dos séculos oscilaram ao aplicar pastoralmente a doutrina.
A Igreja é infalível doutrinalmente mas não é infalível pastoralmente. Muitas vezes, a Igreja toma decisões pastorais que podem ser criticadas. A infabilidade doutrinal e a fragilidade pastoral não devem ser confundidas. Quando falamos que devemos defender a liberdade religiosa para que o estado não imponha uma religião aos cidadãos, essa é uma atitude política, uma atitude pastoral de defender um princípio político no campo da razão prática sem entretanto mudar a doutrina que sempre foi a mesma: só é uma a religião e uma a Igreja de Cristo verdadeiras, o que não implica que outras religiões não possam existir.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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