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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 554/agosto 2008

Mundo Atual

Será?

 

PROIBIDO FUMAR?

 

Em síntese: O tabaco causa graves danos ao organismo humano. Por isto o uso intemperado do mesmo vem a ser grave, pois é um atentado contra a vida do fumante. Em doses moderadas há quem diga que "não impede de viver cem anos", por isto em tais casos o fumo não é tido como pecado.

* * *

O fumo é uma prática muito debatida. Há pessoas muito dignas que têm o hábito de fumar, conservando a consciência tranqüila. Eis por que abordaremos a questão nas páginas seguintes.

1. Breves dados históricos

O uso do tabaco chegou à Europa por obra de Cristóvão Colombo, quando voltava da América em 1492; Colombo verificou que os índios fumavam folhas enroladas chamadas "tabaco". Julga-se que as populações da América pré-colombiana praticavam o uso do tabaco desde remotas épocas.

No século XVI o tabaco começou a ser cultivado na Europa como erva medicinal, sendo um dos pioneiros dessa praxe Jean Nicotide Villemain, embaixador da França em Portugal. Foi ele quem enviou sementes de tabaco a Catarina de Medicis e ao rei Francisco I da França. O botânico J. Delechamp deu ao vegetal em foco o nome de herba nicotiana; donde se originou o vocábulo nicotina (de Nicot).

O hábito de fumo começou logo no século XVI, na França, entre os nobres da corte régia, que usavam também o rapé, guardado em elegantes tabaqueiras. Ao mesmo tempo, os usuários tomavam consciência dos efeitos daninhos do tabaco nos pulmões dos fumantes, mas as autoridades estatais de vários países favoreciam o plantio por causa de seus interesses lucrativos.

Em nossos dias alguns países têm o tabaco como monopólio do Estado, tirando daí grandes proveitos para a sua economia.

2. Efeitos do fumo

A partir de 1959 tem-se dado muita atenção às conseqüência negativas do fumo. O cigarro é multiplamente prejudicial, pois, além de nicotina, contém substâncias aromáticas, e tudo envolvido em papel de valor higiênico suspeito.

O fumo ataca principalmente os pulmões, ocasionando o câncer pulmonar.

Ainda é de notar que o fumo prejudica não somente o fumante, mas também todos aqueles que respiram o ar contaminado em torno de quem fuma. A gravidade do problema aparece ainda maior quando se considera que muitos jovens começam a fumar desde a adolescência, com cerca de doze anos de idade, às escondidas de seus genitores.

Além do tumor pulmonar atribuído ao fumo como principal dano à saúde, registram-se outros efeitos maus: o fumo ataca os brônquios, deteriorando o epitélio ciliar, com o conseqüente aumento do depósito de catarro.

Explicitando melhor o efeito principal da nicotina, foram realizadas pesquisas nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra e na Itália, que puderam averiguar que o risco de câncer pulmonar é de quinze a trinta vezes maior para os fumantes do que para os não fumantes. Os estudos calcularam outrossim que aproximadamente 400.000 pessoas morrem por ano, vítimas de tumor pulmonar causado pelo fumo.

Afirmam os pesquisadores que o fumo ataca também o aparelho cardiovascular por conter, além do mais, monóxido de carbono. Enumeram-se ainda, como resultantes do tabaco, o infarto do miocárdio e a arteriosclerose. É particularmente nociva a mescla do fumo com bebidas alcoólicas ou com contraceptivos ingeridos por mulheres que fumam; tais combinações aumentam a incidência de doenças broncopulmonares e morte acelerada. Dentro destes parâmetros o número de mortes aumenta na proporção de quinze vezes mais entre os fumantes do que entre os não fumantes.

Na medida em que as pesquisas progridem, detectam-se ainda outros efeitos nocivos como: diminuição das defesas imunológicas; as gestantes correm o risco freqüente de abortos espontâneos, dos quais 20% são atribuídos ao fumo como também o risco de parto prematuro, atraso de crescimento do feto. O pai fumante contribui, a seu modo, para prejudicar a criança com malformações e mortalidade perinatal. A consciência destes males tem suscitado associações e campanhas que combatem o fumo. Apesar de tudo, ainda há Estados que fomentam o cultivo do tabaco e a promoção de cigarros sob o regime de monopólio do Estado, donde resultam emolumentos para a economia estatal.

3. Avaliação ética

Como em outros casos de avaliação ética, também no caso do fumo, há que distinguir o dado objetivo e o aspecto subjetivo da questão.

Do ponto de vista objetivo, isto é, de modo geral (sem levar em conta casos particulares), deve-se dizer que o uso habitual e em doses relevantes do fumo é falha grave no plano moral, pois prejudica grandemente (na proporção da quantidade utilizada) não somente o fumante, mas aqueles que o cercam. Além dos danos à saúde, vem a ser grave falta antiética e ingerência do Estado que explora a produção e o comércio do tabaco com finalidade lucrativa em detrimento da saúde da população. Ao Estado cabe elucidar os cidadãos a respeito dos efeitos nocivos do fumo.

Do ponto de vista subjetivo, isto é, considerando os casos particulares, pode-se dizer que o uso do fumo nem sempre é condenável pois há pessoas que estão de boa fé ou sinceramente convictas de que "fumantes podem viver cem anos"; tais pessoas sabem moderar o uso do fumo.

É para desejar, porém, que se esclareça a população acerca dos grave inconvenientes do fumo, a fim de evitar os grandes males que daí decorrem, se não para o próprio fumante, ao menos para quem o acompanha.

Este artigo é inspirado pela obra "Manual de Bioética, de Elio Sgreceia, vol. II, pp. 185-190.

 

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