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Artigo

A Necessidade da Igreja Católica

Seg, 07 de Novembro de 2011 - Alessandro Lima

 

A alma humana é sedenta de um bem absoluto. Um bem que não pode ser tirado, um bem que não é perecível, um bem já adquirido. Por isto nada do que é material satisfaz o homem.

 

O homem tem sede de infinito. Um ser finito ter sede do infinito é como uma formiga desejar beber todo o oceano. Uma formiga por sua natureza não deseja beber toda a água do oceano. Somente os animais, os insetos, os vermes é que se contentam com a matéria. Isto mostra que o homem vive para alcançar um objetivo sobrenatural.

 

O homem possui duas faculdades principais, que são a inteligência e a vontade.

 

 

Inteligência sedenta da Verdade Plena

 

Falemos primeiro da inteligência: qual é o objetivo da inteligência? Seu objetivo é conhecer.

O homem durante anos e até mesmo séculos estudou profundamente. Seus estudos abrangeram deste o átomo até os astros do universo. Mas, mesmo depois disto tudo ele ainda continua insaciado. Ele não pode parar, pois, pará-lo antes de atingir o infinito é frustrá-lo.

 

A inteligência tem sede de luz infinita, de certeza plena, embora seja finita e limitada. Por isto, a única coisa que pode saciar a inteligência humana é a Verdade. Deus o criou para conhecê-la.

 

A inteligência humana tem sede de verdades eternas, imutáveis. Possui sede de princípios sólidos e constantes. E somente a Verdade é imutável, eterna, sólida e constante; e a Verdade é Deus. Por isto é que a fé, e não a ciência, é que pode dar ao homem esse conhecimento pelo absoluto, isento de dúvida.

 

Vontade sedenta do Amor Pleno

 

A vontade, a outra faculdade básica do homem, é a capacidade de querer, de amar. O objeto desta faculdade é o bem, o amor.

Enquanto a inteligência busca a certeza plena, a vontade busca a felicidade plena, absoluta, imperecível. Por isto, não se satisfaz com o bem relativo, passageiro, perecível. Estes bens podem até encantar, mas conquistados, mostram-se insuficientes para saciar a sede da vontade humana. Somente o amor, que dá a posse de Deus, Bem Pleno e Absoluto, pode satisfazer a vontade humana.

 

Aquilo que é constante faz parte da natureza. Ao observarmos as formigas sempre trabalhando, dizemos que elas são trabalhadoras; ao observarmos os pássaros voando, dizemos que são voadores. Ao vermos as pessoas falando, dizemos que falar faz parte da natureza humana. O mesmo acontece com a religião, que é uma constante na história da humanidade, em todas as nações e em todas as épocas. Por isto, a sede de Deus faz parte da natureza humana. Negar o desejo de se alcançar Deus é agir contra a própria natureza do homem.

 

Assim como uma mulher que se utiliza de meios anticoncepcionais está agindo contra a natureza, o ateu ao negar a concepção de Deus em seu coração, também faz o mesmo.

Uma constante na natureza dos seres criados é o desejo de se alimentar. Seria muito estranho que Deus nos tivesse criado com o desejo pelo alimento, sem nos dar meios de nos alimentar. Deus nos criou dependentes de algumas coisas; mas de coisas que existem, que estão ao nosso alcance. Da mesma forma não poderia ter criado o homem com sede Verdade e Felicidade plenas, se elas não estivessem ao seu alcance.

 

O Alcance da Verdade Plena

 

Portanto, Deus oferece ao homem meios de alcançar o que por sua natureza tanto deseja. Mas embora por nossa limitação possamos alcançar as coisas que dependemos (alimentos, educação, moradia e etc), a inteligência humana não é capaz de conhecer sozinha a Verdade que está acima dela. Pode apenas vislumbrar silhuetas da Verdade Absoluta, como fizeram os grandes pensadores pagãos.

 

Assim como um pai dá a seu filho um brinquedo desejado que não está a seu alcance, Deus dá ao homem o conhecimento da Verdade, através de Sua Revelação Divina. Esta Revelação Divina é transmitida por um meio oral e outro escrito.

 

A Sagrada Escritura, por ser veículo da Revelação Divina por meio escrito, está sujeita a diversas e contraditórias interpretações. Embora Deus queira anunciar a Verdade também através dela, nela Sua Mensagem está envolvida em mistério, para que os infiéis não a profanem. Por isto, a Sagrada Escritura em si, não é suficiente para a posse da Verdade Absoluta e Plena.

 

Também a Tradição, veículo oral da Revelação Divina, sozinha não pode levar ao homem o conhecimento da Verdade, pois com o passar do tempo, seu conteúdo poderia ser modificado como se fosse um telefone sem fio.

 

Portanto, não bastava a Deus Revelar a Verdade ao Homem, sem que lhe desse meios de manter a integridade de Sua Revelação e meios de transmiti-la de forma correta.

Por isto, Ele deu ao homem um Magistério que lhe desse essas garantias. Este Magistério iniciou-se com os Judeus, sob a liderança de Moisés e em nossos dias é a Igreja Católica que o representa sob a liderança do Papa (1). Por isto a Igreja é necessária para que o homem tenha posse da Verdade, objeto da inteligência (2).

 

O Alcance do Amor Absoluto

 

Por suas limitações o homem não é capaz de alcançar e manter o Amor Absoluto (Sumo Bem), indispensável à sua vontade. Assim como um recipiente sujo compromete a pureza do líquido que armazena, o homem falho compromete a manutenção do Amor em sua plenitude.

 

Somente a Graça de Deus dá capacidade ao homem de encontrar e manter o Amor Pleno. Por este motivo é que os Sacramentos da Igreja são necessários, pois eles são fontes da graça de Deus, que nos auxiliam na santificação. Os sacramentos são ações visíveis de uma graça invisível. Por exemplo: o ato que o sacerdote faz ao aspergir água sobre a cabeça de uma criança, é um ato visível em que por trás está a ação invisível do Espírito Santo na regeneração da criança.

 

Ao Encontro da Verdadeira Igreja

 

A Igreja é necessária, pois é através dela que temos o conhecimento da Verdade, que tanto nossa inteligência almeja. Assim, São Paulo escreveu a Timóteo: "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (1Tm 3:15).

 

E também é através da Igreja que recebemos os Sacramentos, que nos auxiliam a alcançar e manter o Amor Pleno. Por isto a Igreja tem que ser visível para que o homem a encontre e tenha posse de Deus. Mas, a visibilidade da Igreja não está em seus prédios, mas sim, em sua estrutura hierárquica, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo. Fora deste edifício divinamente instituído, não há Igreja. Esta é a característica que Deus nos deu para sabermos se estamos na Igreja Verdadeira: a Igreja deve ter origem apostólica.

 

Possuir origem apostólica não é crer no que os apóstolos criam, mas sim ter sido gerada através da sucessão regular dos apóstolos, e manter a unidade com a hierarquia. Da mesma forma como não podemos dizer que uma criança é da família "Lima" sem ter sido gerada por esta família, não podemos afirmar que uma igreja é apostólica, sem ter sido gerada através da sucessão regular dos apóstolos e sem manter a unidade com a hierarquia da Igreja.

 

Fonte: Veritatis Splendor


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