DOUTRINA (1782)'
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Artigo

Igreja, Bíblia e Revelação

1. Por amor, Deus revelou-Se e deu-Se ao homem. Dá assim uma resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se põe a si próprio sobre o sentido e o fim da sua vida.

2. Deus revelou-Se ao homem, comunicando-lhe gradualmente o seu próprio mistério, por ações e por palavras.

3. Além do testemunho que dá de Si mesmo através das coisas criadas, Deus manifestou-Se a Si próprio aos nossos primeiros pais. Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação (Cf. Gn 3, 15) e ofereceu-lhes a sua aliança.

4. Deus concluiu com Noé uma aliança eterna entre Si e todos os seres vivos (Cf. Gn 9, 16.). Essa aliança durará enquanto durar o mundo.

5. Deus escolheu Abraão e concluiu uma aliança com ele e os seus descendentes. Fez deles o seu povo, ao qual revelou a sua Lei por meio de Moisés. E preparou-o, pelos profetas, a acolher a salvação destinada a toda a humanidade.

6. Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de modo que, depois d’Ele, não haverá outra Revelação. A Imagem de Cristo retrata o entendimento da Igreja sobre a Escritura Sagrada – Cristo o Verbo Divino ensina em si a Palavra de Deus e confere aos Seus Apóstolos e sucessores, a autoridade para Transmitir esses ensinamentos.

7. O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram, pela sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até a vinda gloriosa de Cristo.

8. «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único depósito sagrado da Palavra de Deus» (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822), no qual, como num espelho, a Igreja peregrina contempla Deus, fonte de todas as suas riquezas. Revelação = Igreja + Bíblia.

9. «Na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é, tudo aquilo em que acredita» (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821).

10. Graças ao sentido sobrenatural da fé, o povo de Deus, no seu todo, não cessa de acolher o dom da Revelação divina, de nele penetrar mais profundamente e de viver dele mais plenamente.

11. O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado unicamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.

12. Omnis Scriptura divina unus liber est, et ille unus liber Christus est, «quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur; et omnis Scriptura divina in Christo impletur» – Toda a Escritura divina é um só livro, e esse livro único é Cristo, «porque toda a Escritura divina fala de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (Hugo de São Vítor, De arca Noe II, 8: PL 176, 642: cf. Ibid. 2. 9: PL 176, 642-643.).

13. «As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus; e, pelo fato de serem inspiradas, são verdadeiramente a Palavra de Deus».

14. Deus é o autor da Sagrada Escritura, ao inspirar os seus autores humanos: age neles e por eles. E assim nos dá a garantia de que os seus escritos ensinam, sem erro, a verdade da salvação (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823).

15. A interpretação das Escrituras inspiradas deve, antes de qualquer coisa, estar atenta ao que Deus quer revelar, por meio dos autores sagrados, para nossa salvação. O que vem do Espírito não é plenamente entendido senão pela ação do Espírito (Cf. Orígenes, Homiliae in Exodum 4, 5: SC 321, 128 (PG 12, 320).

16. A Igreja recebe e venera, como inspirados, os 46 livros do Antigo e os 27 do Novo Testamento.

17. Os quatro evangelhos ocupam um lugar central, dado que Jesus Cristo é o seu centro.

18. A unidade dos dois Testamentos deriva da unidade do plano de Deus e da sua Revelação. O Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Os dois esclarecem-se mutuamente; ambos são verdadeira Palavra de Deus.

19. «A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o próprio Corpo do Senhor» ambos alimentam e regem toda a vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119, 105) (Cf. Is 50, 4.).

20. O crente deve, portanto, ouvir a Igreja e seu discernimento sobre a Revelação Divina.

Fonte: www.igrejamilitante.wordpress.com.


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