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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 401 – outubro 1995

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"VOCÊ PODE CURAR SUA VIDA"

por Louise L. Hay

 

Em síntese: Louise L Hay propõe um conceito psicossomático de doenças e desgraças. Julga que a cura das mesmas está em rejeitar todo pensamento pessimista e cultivar o amor do indivíduo a si mesmo. Expõe suas idéias dentro dos parâmetros da doutrina do panteísmo, da reencarnação e do holismo (inspirado pela corrente da Nova Era).

A autora não se engana quando afirma a origem psíquica de muitas moléstias humanas, mas exagera. Mais: o reconhecimento das próprias faltas, numa perspectiva cristã, é salutar e não mórbido (como pensa Louise Hay), desde que colocado sob a luz da Redenção oferecida por Jesus Cristo. A autora diz ter-se beneficiado das sessões da Igreja da Ciência Cristã; daí a exposição do que seja esta corrente de pensamento no seguinte artigo deste fascículo.

* * *

A Sra. Louise L. Hay publicou famoso livro intitulado "Você pode curar sua Vida"[1], que já ultrapassou 41 edições e procura ensinar "como despertar idéias positivas, superar doenças e viver plenamente" (subtítulo do livro). A contracapa do volume observa: "Um sucesso de um milhão de exemplares da maior pensadora americana da Nova Era", "um livro indispensável para todos os que desejam alcançar um modo de vida mais pleno, consciente e equilibrado".

A seguir, examinaremos as linhas-mestras da obra e lhes teceremos alguns comentários.

 

 

1. A MENSAGEM DO LIVRO

 

1. A autora julga que as doenças físicas e mentais resultam de más disposições do nosso psíquico. Quem culpa a si mesmo, quem não se estima, provoca moléstias de vários tipos, de modo que a cura deve ser obtida pela execução de uma ordem muito simples: "Peço ao cliente que pegue um espelho pequeno, olhe bem nos olhos, diga seu nome e depois: 'Eu o amo e aceito exatamente como você é'" (p.39).

Louise L. Hay comenta:

"O trabalho com o espelho é muito poderoso. Quando crianças, recebemos a maioria das mensagens negativas de outros, que nos olhavam bem no olho, talvez sacudindo um dedo para nós. Hoje, quando a maioria de nós se olha no espelho, diz algo negativo, quer criticando sua aparência, quer menosprezando alguma atitude. Olhar-se bem no olho e fazer uma declaração positiva sobre si mesmo é, na minha opinião, o modo mais rápido de se conseguir bons resultados com afirmações" (p.69).

A autora repete muitas vezes a sua tese:

"Precisamos escolher nos libertar do passado e perdoar a todos, inclusive a nós mesmos. Talvez não saibamos como perdoar, e talvez não queiramos perdoar. Porém, o simples fato de dizermos que estamos dispostos a perdoar dá início ao processo de cura . Para nossa própria cura, é imperativo que nós nos libertemos do passado e perdoemos a todos" (p.25).

"Se somos todos 100% responsáveis portudo o que existe em nossa vida, não temos a quem culpar. Seja o que for que esteja acontecendo lá, é apenas um reflexo dos nossos próprios pensamentos interiores. Não estou defendendo o mau comportamento dos outros, mas são nossas crenças que atraem pessoas que nos tratam assim" (pp.23s).

O pensamento cria as situações:

"Todos os eventos que você experimentou em sua vida até este instante, foram criados pelos pensamentos e crenças que manteve no passado. Eles foram criados pelos pensamentos e palavras que você usou ontem, na semana passada, no mês passado, no ano passado, há 10, 20, 30, 40 anos ou mais, dependendo da sua idade.

Entretanto, esse é o seu passado e ele já acabou; não pode ser modificado. O importante neste momento é o que você está escolhendo pensar, acreditar e dizer agora. Esses pensamentos e palavras criarão seu futuro. Seu ponto de poder está no presente instante e está formando as experiências de amanhã, da semana que vem, do mês que vem, do ano que vem etc." (p.21).

A própria autora diz ter sofrido de câncer, que ela conseguiu superar pelo pensamento otimista:

 

"Procurei um bom nutricionista para me auxiliar na limpeza e desintoxicação de meu corpo, prejudicado por todas as comidas inadequadas que eu ingerira ao longo dos anos. Aprendi que elas se acumulam e criam um corpo cheio de toxinas, tal como os pensamentos inadequados se acumulam e criam uma mente intoxicada. Foi-me recomendada uma dieta muito rígida, constituída quase só de hortaliças. No primeiro mês, fiz lavagens intestinais três vezes por semana.

Não fui operada. Como resultado dessa completa limpeza física e mental, seis meses depois de ter ouvido o diagnóstico consegui que os médicos concordassem com o que eu já sabia - eu não tinha mais nem sinal de câncer! A essa altura, eu sabia por experiência própria que a doença pode ser curada, se estamos dispostos a mudar o modo como pensamos, acreditamos e agimos!" (pp.240s).

2. Louise L. Hay professa o panteísmo ([2]): "Eu sou uno com o Poder que me criou, e esse Poder me deu o poder de criar minhas próprias circunstâncias" (p.16); "O Universo nos apóia totalmente em cada pensamento que escolhemos ter e acreditar" (p.18).

3. O panteísmo está geralmente associado à tese da reencarnação, que Louise Hay também professa:

"Cada um de nós decide encarnar neste planeta em pontos específicos no tempo e no espaço. Escolhemos vir para cá com o intuito de aprender uma lição em particular que nos fará avançar no nosso caminho espiritual, na nossa evolução. Escolhemos nosso sexo, cor, país, e então procuramos o casal especial que refletirá o padrão que estamos trazendo conosco para trabalhar durante esta vida. Então, quando crescemos, geralmente apontamos um dedo acusador para nossos pais e choramingamos: 'Vocês me fizeram isso'. Porém, na verdade, os escolhemos porque eles eram perfeitos para a tarefa que queríamos executar nesta existência" (pp.20s).

4. Louise Hay filiou-se à corrente de pensamento dita "Ciência Cristã", que precisamente propõe a cura de moléstias mediante otimismo religioso (ver artigo seguinte deste fascículo).

É também apresentada como adepta da Nova Era, que ensina a cura holística, ou seja, a cura do físico pelo psíquico, já que o ser humano é tido como um grande e único todo (holon, em grego).

A medicina holística visa a reequilibrar as energias do organismo perturbadas pela moléstia. Daí o recurso a exercícios físicos, como ioga, trampolim, natação, andar, dançar, passear de bicicleta, esportes em geral; nutrição: dietas, macrobiótica, ervas naturais, vitaminas, homeopatia; terapias alternativas: acupuntura, acupressura, reflexologia, terapia do cólon; técnicas de relaxamento: respiração profunda, sauna, banhos (imersão), música; técnicas psicológicas: visualização profunda, meditação, amor a si mesmo, psicodrama, terapia de vidas passadas, programação neurolingüística...

 

Pergunta-se agora:

 

2. QUE DIZER?

 

1. Antes do mais, observamos que o princípio segundo o qual o físico depende do psíquico é válido. As doenças são, muitas vezes, psicossomáticas, ou seja, derivadas de um estado de ânimo tenso e passional. Por isto também são curadas mediante uma psicoterapia adequada. Até mesmo as moléstias mais graves podem ser, ao menos em parte, debeladas por concepções mentais esperançosas e confiantes. A neurolingüística explora a influência do psiquismo sobre o somático, com bons resultados, tendo conseguido remover obstáculos à saúde e ao bom desempenho de seus seguidores.

 

Todavia Louise L. Hay exagera ao afirmar este princípio psicoterapêutico. A esperança e o amor a si próprio não conferem poderes ilimitados. O otimismo de Louise L. Hay se deve ao seu panteísmo: o ser humano seria um nó da rede do universo, de modo que poderia exercer atividades divinas se se abrisse devidamente à Divindade, que flui por essa rede. É de notar, aliás, que a autora, embora se diga freqüentadora da Igreja da Ciência Cristã, não menciona uma só vez Cristo, a graça e a redenção oferecidas pelo Senhor Jesus. O indivíduo humano vem a ser o seu próprio salvador mediante o recurso às técnicas psicológicas e físicas indicadas pelo holismo.

2.  Na perspectiva do Cristianismo, o sentir-se pecador não é um mal a ser repudiado; é, sim, o reconhecimento da verdade. São João nos diz que quem afirma não ter pecado, é mentiroso (cf. Jo 1,8; 2,4). Todavia o reconhecimento sincero das próprias faltas não deve ser acabrunhador. S. Agostinho exorta o pecador a conceber a dor do seu pecado e a alegrar-se por ter concebido o arrependimento; com efeito, arrepender-se é sinal de que a graça de Deus trabalha no pecador e o conduz à conversão. Por isto também S. Ambrósio afirma que "pecar é comum a todos os homens, mas arrepender-se é próprio dos Santos" (Apologia de Davi II 5-6). Seria falso amar a si mesmo, esquecendo que cada qual tem suas falhas e que o reconhecimento sincero do pecado nobilita e engrandece o ser humano. Somente a fé em Deus,... em Deus que ama o homem, embora este seja pecador, pode mostrar o valor da contrição; esta não esmaga, porque o Salvador declarou explicitamente que "não são os que têm saúde que precisam de médico; não veio chamar justos, mas pecadores" (Mt 9,12s). Sem a fé no Deus da Revelação, torna-se angustiante a recordação das próprias faltas, e o remédio que se lhe propõe (como faz Louise Hay) é falho.

3.  A medicina alternativa proposta pelo holismo é válida na medida em que a ciência a aprova, como de fato a tem aprovado. Louise Hay se prende à nova Era não somente pelo holismo, mas também, e principalmente, pelo seu conceito de Deus panteísta (o Universo) e sua tese reencarnacionista.

Quanto à Ciência Cristã, que a autora freqüentou, é escola religiosa ocidental, derivada do Cristianismo; também ensina a considerar as doenças como efeitos do psiquismo e da espiritualidade desajustados no ser humano. Visto que é pouco conhecida entre nós a Ciência Cristã, segue-se no próximo artigo breve apresentação da sua mensagem.



[1] Editora Best-seller, São Paulo, sem data de publicação no Brasil. O original inglês data de 1984 e foi traduzido para o português por Evelyn Kay Massaro.

[2] O panteísmo é a doutrina segundo a qual tudo (pan) é a Divindade (theós): o mundo, o homem e a Divindade seriam uma só grande realidade.


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#0•A371•C529   2014-03-18 21:46:56 - Convidado/fabits_net@hotmail.com
Boa noite!
Achei muito interessante o artigo, visto que hoje aparecem muitas doenças, especialmente de fundo emocional...
É até complicado buscar tratamento, pois parece-me que estamos sendo invadidos por tantas terapias que misturam coisas contrárias ao cristianismo... Mas em relação a isso... é correto por exemplo fazer acupressura??? Já que é uma terapia que trabalha com os pontos..Conheci uma pessoa que se submete a esse tratamento, e teve muitas melhoras...
Fico no aguardo!

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