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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 379 – dezembro 1993

Reflexões

“NA PLENITUDE DOS TEMPOS"

(Gl 4,4)

 

São Paulo diz que "na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher,... para que recebêssemos a adoção filial" (Gl 4,4s).

"Na plenitude dos tempos...". Esta imagem supõe o relógio antigo: um cilindro cheio de água deixava pingar regularmente a água dentro de outro cilindro do mesmo tamanho e graduado. Quando o segundo cilindro estava cheio, dizia-se que o tempo estava cheio ou pleno. — No texto do Apóstolo, tal expressão designa a época em que Cristo veio. Poder-se-ia pensar que a plenitude dos tempos significava a plenitude da cultura e da prosperidade entre os homens. Ora, paradoxalmente, o contrário se deu; Cristo veio numa fase em que o Império Romano se ressentia de vários males: a filosofia decadente e o ceticismo solapavam a vida moral (cf. Rm 1,18-32); o povo judeu sofria dominação estrangeira e se via dividido entre partidos religiosos-políticos (fariseus, saduceus, zelotas, sicários...); um idumeu (Herodes dito "o Grande") fora colocado por Roma sobre o trono de Davi...

Por que, precisamente numa época tão sombria da história de judeus e pagãos, quis o Filho de Deus nascer neste mundo? Os homens não deveriam estar no auge de sua cultura para receber o Messias?

São Paulo responde a estas indagações. Deus quis preparar a humanidade para receber o Cristo mostrando-lhe que ela por si não se pode salvar; é propensa ao pecado e, por isto, precisa da graça de Deus; cf. Gl 3,19; Rm 5,20. O Messias não é um rótulo, um verniz ou um mero acabamento dado aos valores humanos, mas é Aquele que procura o homem consciente de sua fragilidade e, por isto, também sequioso do dom de Deus; vem para preencher o vazio do coração humano, trazendo todos os bens definitivos a quem tenha fome e sede de santidade. "Deus não ama o homem porque o homem seja bom, mas o homem é bom porque Deus o ama", diz S. Tomás de Aquino muito sabiamente. O amor de Deus ao homem é anterior à virtude do homem; é ele quem suscita a fidelidade dos bons. E a suscita não apenas em um ou outro privilegiado, mas a suscita em todo e qualquer indivíduo que o aceite, pois na origem de cada ser humano há um ato de amor de Deus, que é gratuito e irreversível (não pode voltar atrás). Todo aquele que, pequenino e contrito, se chegue ao Cristo, receberá dele a resposta desse amor primeiro.

E, continua o Apóstolo, o Filho de Deus veio como Filho da mulher — a Virgem-Mãe SS. — para que recebêssemos a participação na sua filiação divina. Natal é esse surpreendente intercâmbio: Deus se faz homem para que o homem possa ter acesso ao que é de Deus! Ainda desta vez, em 1993, Natal é o dom do Filho para toda criatura que o queira receber com sinceridade e coragem...

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 1994 A TODOS OS NOSSOS LEITORES!

E.B.


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