REVISTA PeR (3089)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 555/Setembro 2008

História

Guardar a Verdade:

 

O INDEX DOS LIVROS PROIBIDOS

 

Em síntese: Toda sociedade tem o direito de defender sua identida­de expressa em sua mensagem e em seu programa de ação. Assim tam­bém a Igreja fez o o Index ou Catálogo de Livros Proibidos, que durou de 1539 a 1965. Hoje em dia a Igreja apela para o bom senso de cada fiel católico na escolha dos seus livros de leitura.

 

Toda sociedade existe com alguma finalidade, que muitas vezes consiste em apregoar uma mensagem e pô-la em prática. Essa finalidade corresponde à própria identidade da respectiva sociedade, de modo que há de ser defendida contra ataques e deturpações orais e escritas. É o que a Igreja compreendeu e pôs em prática desde os seus primeiros tem­pos.

 

1. Dados históricos

Já no fim do século II, o chamado "Fragmento de Muratori" apre­sentava alguns livros de origem herética, que não podem ser aceitos pela Igreja.

A primeira condenação oficial por parte dos Bispos é a da obra "Thalia" de Arlo, que negava a Divindade do Filho (Concílio de Nicéia I -325).

Em 400 o Papa Anastácio condenou os escritos de Orígenes (+250 aproximadamente) tendo-os em conta de mais perniciosos aos ignoran­tes do que úteis aos sóbrios" (400).

São Leão Magno (461) reprovou em Roma os escritos dos Maniqueus e pediu aos Bispos da Espanha que fizessem o mesmo em relação aos Priscilianos (que eram dualistas).

Nos primeiros séculos da Igreja, uma questão que os cristãos colo­caram freqüentemente era a da liceidade dos clássicos pagãos: Platão, Sófocles, Xenofonte. O Papa Gelásio I rejeitou algumas destas obras.

Enquanto não foi inventada a arte de imprimir por meio de Gutemberg, não era tão grande o perigo de más leituras, pois não havia muitos exemplares de cada obra, visto que cada uma era copiada à mão. Mas o recurso da imprensa e a subseqüente reforma protestante torna­ram-se a ameaça mais pujante. A vigilância da Igreja era mais intensa. Em 1501 o Papa Alexandre VI e em 1516 Leão X estipularam que nada poderia ser publicado sem a autorização do Bispo local ou do seu Vigário Geral; institui-se assim a necessidade do Imprimatur (imprima-se) emiti­do pelo Bispo após o Nihil Obstat (nada a opor à publicação) dado pelo censor da obra. O rei Henrique VIII na Inglaterra, e o imperador Carlos V pressionaram a Santa Sé no sentido de promulgar um Index librorum proihibitorum aos poucos com a colaboração da Universidade de Louvain, que em 1540 e 1546 fez a revisão da obra; os escritos de Lutero eram os mais censurados. A Bíblia se tornaria fonte da qual os heresiarcas, medi­ante o livre exame, hauriam suas novas idéias que agitavam o povo. Daí a proibição de ler a Bíblia em língua vernácula sem autorização da auto­ridade competente. Para facilitar a tarefa, realizada dispersivamente, o Papa Paulo III confiou à Congregação da Inquisição o encargo de apontar os livros censurados por heresia. Em 1597 Paulo IV mandou confeccionar um catálogo de livros. Este saiu do prelo em 1559; era o primeiro organi­zado segundo ordem rigorosamente disposta. Para cada letra do alfabeto havia três categorias de livros.

a)  a dos autores cujas obras eram toda condenadas (opera omnia);

b) a dos livros cujo conteúdo acarretasse perigo para a fé e os bons costumes;

c)  a dos escritos anônimos ou dissimulados por um pseudônimo.

Foram assim condenados todos os escritos de autores anônimos a partir de 1510. Em apêndice eram indicadas as edições da Bíblia que não deviam ser lidas sem autorização, além de uma lista de 62 tipografias suspeitas de publicar livros impregnados de heresia.

O rigor dessas condenações pouco durou: em 1561 foi publicada uma Moderatio Indicis Librorum Prohibitorum (Abrandamento do Index de Livros Proibidos).

Em 1564 o Papa Pio IV mandou rever e atualizar tal Index. A nova edição constava de duas partes. A primeira apresentava dez Regras ins­piradas pelo Concílio de Trento (1543-1565) para a publicação de livros: censura, correção e venda de livros proibidos, sanções devidas a infra­ções, condenação direta de certas categorias de obras. Estas normas fi­caram em vigor até o século XIX. A segunda parte do Index repetia o catálogo aprovado por Paulo IV, com exceção da referência às edições da Bíblia não autorizadas e das tipografias suspeitas.

No século XIX o Papa Leão XIII quis adaptar o Index aos novos tempos, preparando as vias para a codificação do Direito Canonico. O novo Índex foi publicado em 1900. Apresentava novas regras de interpre­tação dos textos tidos como perigosos; as obras condenadas antes de 1600 já não aparecem; eram 800, ficaram cerca de 4.000 condenadas, sendo algumas de opera omnia, de todas as obras.

Finalmente Paulo VI por Motu Próprio de 27 de dezembro de 1966 declarou que o Index, como lei da Igreja, estava extinto, ficando, porém, o dever moral de guardar e defender a fé entregue ao bom senso de cada fiel. Quais as conseqüências desta medida surpreendente?

 

2. No presente

A Igreja confia no senso de responsabilidade de seus fiéis. Cada qual tem a obrigação de conhecer as verdades da fé e preservá-las de erro ou contaminação herética. Cada um(a) é incitado a amar a verdade e preservá-la íntegra. São Paulo considera a heresia como uma gangrena que corrói (cf. 2Tm 1).

A Igreja reserva-se o direito de denunciar obras e escritos contrári­os à fé. Ela o tem feito - sobretudo através da Congregação para a Dou­trina da Fé - para o bem do povo de Deus, que é não raro agitado por discursos contrários à reta fé.

É notório o fato de que um livro é mais penetrante e astucioso do que o discurso de um palestrante. Na verdade, quem ouve uma conferên­cia que não lhe agrada, sente-se impelido a aprofundar o conferencista e discutir com ele; mas quem lê algo de errôneo, não vai discutir com o livro e, aos poucos, sem talvez o perceber, vai sendo infiltrado pelo erro, que ele acaba abraçando. As más leituras são sorrateiras e muitas vezes con­seguem vencer a resistência inicial do leitor. Daí a necessidade de que cada fiel católico faça lúcido discernimento dos livros que lhe são ofereci­dos e tenha nítida consciência de que o mundo pluralista em que vivemos pode disseminar grande confusão na mente dos católicos.

Quanto à censura prévia de livros a ser publicados, veja-se PR 457/ 2000, pp. 254.

 

Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)