REVISTA PeR (1595)'
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Artigo

Venceu o Bom Senso

 

Dom Jaime Luiz Coelho Arcebispo de Maringá ([1])

A onda de indignação contra os desmandos na Televisão foi crescendo a tal ponto, que chegou o momento da vitória do bom senso. O novo Ministro da Justiça — e ele tem arsenal moral para isso — publicou uma Portaria que regulamentava os programas de TV e suas chamadas para os mais diversos horários, estabelecendo critérios de "classificação indicativa". Não se trata de censura — o que a Constituição eliminou, uma vez que esta mutila, e chega a amputar programas — mas, sim, trata-se de fazer, como afirma o Ministro, uma "classificação indicativa". São "recomendações" às emissoras de televisão, para que respeitem os valores éticos da família brasileira, da infância, do adolescente, do jovem. O novo Estatuto da Criança e do Adolescente prevê até penalidades para aqueles que ferirem os direitos da criança e do adolescente ali exarados. As cenas de violência, de sexo explícito, vulgaridades, essa enxurrada de lama era levada nas telas de televisão em qualquer horário, sem o menor respeito devido à pessoa humana, que ainda sabe dar a si mesma o devido valor. Tamanha foi a indignação do povo sadio brasileiro, que o seu clamor chegou ao Ministério da Justiça.

Mas! É sempre o Mas!. . .

Tão logo se publicou a Portaria do Ministro da Justiça, aqueles que não têm o menor senso de pudor e para os quais mais vale a força do dinheiro, levantaram-se contra a mesma. A imprensa trouxe as mais variadas opiniões sobre o assunto. Assim o Vice-Presidente da Rede Globo afirmou: "Não acho uma solução inteligente, adulta, nem que defenda a sociedade brasileira. Sou da opinião de que a responsabilidade do que vai ao ar, deve ser do veículo e da família". Realmente. Já que o veículo, o canal de TV, não sabe impor a si mesmo uma adequada apresentação, chegou a vez da família mostrar os absurdos que a mesma televisão vinha apresentando. De outro lado, o Vice-Presidente da SBT aplaudiu a Portaria, dizendo: "Sou totalmente a favor. Infelizmente a televisão brasileira, a partir da redemocratização, passou depressa demais da liberdade à libertinagem". E diz mais: "A busca pela audiência está levando a excessos muitas emissoras — inclusive a minha —, que colocam programas impróprios em determinados horários.



[1] A Redação de PR agradece vivamente ao Sr. Arcebispo D. Jaime a colaboração nesta revista, pedindo ao Senhor que ilumine sempre o ministério pastoral de S.Excia.


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